Foi no âmbito da iniciativa «Beja na Rua» que o mural de homenagem às mulheres alentejanas, com destaque para a mártir antifascista Catarina Eufémia, surgiu no centro da cidade. Sob a justificação de vivermos hoje uma realidade muito diferente do tempo em que a ceifeira foi assassinada a tiro pela GNR em Baleizão durante uma greve de trabalhadores rurais que lutavam por melhores jornas, o eleito do PS, Paulo Arsénio, vincou a posição da sua vereação: «não nos parece que tenha sido, de facto, o mural mais adequado para ser colocado em Beja».
Alegando não querer apagar a memória e o papel de Catarina Eufémia, Paulo Arsénio não achou bem apresentar às mulheres alentejanas do século XXI o exemplo de luta da ceifeira de Baleizão. «Já não há tenentes Carrajolas a disparar impunemente sobre manifestantes», afirmou o vereador, argumentando que o mural representa uma «opção ideológica demasiado forte e desadequada». «Eu coloco-me também numa linha, enfim, de combate a tudo aquilo que seja uma ideia extrema de direita e de fascismo», alegou Paulo Arsénio.
Na sua intervenção, o eleito do PS avançou ainda um receio sobre futuras homenagens. «O que nós esperamos é que nos próximos anos, digamos, que a fachada da biblioteca não venha a ter Karl Marx ou que a fachada da Câmara não venha a ter Lenine aqui devidamente desenhados», disse.
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