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Efacec: chegou a hora dos abutres

O Governo anunciou a reprivatização de 71,73% da Efacec. Sobre os dois mil postos de trabalho, nenhuma garantia: antes de mais, é preciso assegurar que a empresa é «competitiva».

Concentração durante a greve dos trabalhadores do Grupo Efacec contra os despedimentos, no Parque Industrial da Arroteia, em Matosinhos, 23 de Março de 2018 Créditos Rui Farinha / Agência Lusa

A Efacec é, nos dias que correm, a última grande empresa de metalomecânica e eletromecânica que resiste no país, sobrevivendo aos ímpetos privatizadores de sucessivos governos, entregues à ânsia colectiva de alienar o que ao país pertence.

Este grupo industrial, líder mundial no mercado de infraestruturas de carregamento rápido de veículos eléctricos, reúne meios de produção, tecnologias e competências técnicas para desenvolver actividade nos domínios das soluções de energia, engenharia, ambiente, transportes, automação e mobilidade eléctrica, com uma rede de filiais e agentes em vários países.

Na noite de quarta-feira, o secretário de Estado das Finanças anunciou, animado pelo retumbante sucesso da experiência anterior, a venda de 71,73% da empresa ao grupo DST SPGS, a que «melhor acautelou os interesses do Estado».

Em comunicado, o PCP considera que a privatização da empresa, «que ao longo da sua existência teve por diversas vezes intervenção pública, não garante nem o futuro, nem o papel estratégico que esta pode e deve ter ao serviço do desenvolvimento da economia nacional».

Como tem acontecido recorrentemente, o Estado português é «chamado a intervir em empresas privadas, quando estas se revelam incapazes de honrar os seus compromissos», injectando significativos recursos públicos só para que estes sejam, depois, «entregues novamente à lógica dos interesses do grande capital, até que novas dificuldades surjam no horizonte».

No entender dos comunistas, «quer o histórico quer o carácter estratégico da Efacec exigiam outras opções por parte do Governo PS, conservando e desenvolvendo a empresa na esfera pública, potenciando a sua capacidade industrial e de investigação e inovação, integrando-a numa estratégia mais ampla de defesa da produção nacional e da soberania do País».

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