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Teatro São Luiz associa-se ao festival brasileiro «Versão Sem Censura»

A iniciativa, organizada pela prefeitura de São Paulo, no Brasil, pretende responder à repressão cultural sentida no seu país, através da difusão gratuita de diferentes manifestações artísticas.

Teatro São Luiz
Teatro São LuizCréditos / http://lisboa.convida.pt

O Festival «Verão Sem Censura», realiza-se em São Paulo, entre 17 e 31 de Janeiro, e conta com peças de teatro, filmes, exposições e debates, de entrada gratuita.

O Teatro São Luiz, em Lisboa, anunciou que se associa a esta iniciativa, através da exibição da peça do escritor português Orlando da Costa, Sem Flores Nem Coroas, escrita em 1967 e publicada em 1971, e que, na altura, foi objecto de censura por parte da ditadura fascista.

Aida Tavares, encenadora da peça e directora artística do teatro municipal, e a actriz Fernanda Lapa, leram esta sexta-feira, antes do início do espectáculo, dois textos-manifestos ao público, para explicar as razões pelas quais se associam ao festival brasileiro, como são o facto de que «não esquecemos o que foram os 48 anos de ditadura que vivemos» e que «estamos com os nossos amigos brasileiros, os artistas e os cidadãos, com todos aqueles que lutam e com todos aqueles que resistem».

Fernanda Lapa considera mesmo que «a arte continuará a existir, com ou sem censura, e sempre com mais força», porque a sua razão de ser é «existir para lá de tudo», mas também entende que «fomos, somos e seremos vítimas, mas também responsáveis, se não denunciarmos, se não recusarmos e se não defendermos que é censura aquilo que nos estão a dizer que é para o bem de todos».

O programa da iniciativa, acolhida em São Paulo, conta com a leitura encenada de Calabar, o Elogio da Traição, peça de teatro de Chico Buarque e Ruy Guerra, censurada durante a ditadura militar (1964-1985), e também com a evocação de Carlos Marighella, escritor e militante comunista, assassinado pela ditadura militar brasileira, com o filme recentemente produzido por Wagner Moura.

O festival inaugura também a exposição «Banidos», dedicada a obras censuradas, com base no acervo da Biblioteca Mário de Andrade.

Secretário da Cultura parafraseou discurso nazi

A Cultura tem sido objecto de intensa luta política no quadro da presidência do país por Jair Bolsonaro, que extinguiu o respectivo ministério, declarou «guerra contra o marxismo cultural» e já censurou variadas formas de produção artística.

Entretanto, o encenador e dramaturgo Roberto Alvim, que desde Novembro dirigia a Secretaria da Cultura do Governo, está envolto em polémica por ter citado um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazi, num vídeo sobre o Prémio Nacional das Artes, e foi ontem demitido.

A actriz Regina Duarte, admiradora confessa de Bolsonaro, já confirmou ter sido convidada para o cargo pelo presidente brasileiro.


Com agência Lusa

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