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Festa do «Avante!»: cinema ao ar livre comprometido com a liberdade e a imaginação

Além dos filmes, o CineAvante! inclui algumas apresentações que permitem enquadrar as obras e fomentar a discussão crítica, salientando o trabalho que a aparência da imagem muitas vezes não revela directamente.

«Visões do Império», de Joana Pontes
«Visões do Império», de Joana PontesCréditos

O cinema ao ar livre regressa à Festa do «Avante!», depois da primeira experiência no ano passado. As condições no exterior impõem a redução da programação, mas mantém-se a diversidade de propostas e perspectivas e o compromisso com a liberdade e a imaginação.

Além dos filmes, o CineAvante! inclui algumas apresentações que permitem enquadrar as obras e fomentar a discussão crítica. Desta forma, salienta-se o trabalho que a aparência da imagem muitas vezes não revela directamente, mas também o impacto do cinema na percepção da história e na relação com o presente.

Na sexta-feira, dia 3, o programa abre às 21h com Fora de Campo ou Revolução até à Vitória (2016), de Mohanad Yaqubi, uma reflexão sobre a luta do povo palestiniano e a sua tentativa de construir uma imagem de auto-representação durante as décadas de 60 e 70 através da célula de cinema integrada na Organização para a Libertação da Palestina (OLP). A sessão conta com a apresentação de Carlos Almeida (MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano e pela Paz no Médio Oriente).

No sábado, dia 4, o CineAvante! propõe, às 19h30, Visões do Império (2020), de Joana Pontes, um documentário que aborda o modo como o Império Português e a sua história foram imaginados, documentados, e divulgados a partir do registo fotográfico, desde o final do século XIX até à revolução de 25 de Abril de 1974 que pôs fim à ditadura fascista.

Segue-se, às 21h30, Prazer, Camaradas! (2019), de José Filipe Costa, docuficção que recria a viagem de uma mulher e dois homens da Europa do Norte para o Portugal revolucionário de 1975 e as suas posteriores experiências numa cooperativa criada numa herdade ocupada no Ribatejo, dar consultas médicas e contribuir para a educação sexual. Joana Pontes e José Filipe Costa estarão presentes nas sessões para comentarem os seus filmes.

No domingo, dia 5, há oportunidade para ver um filme de ficção e um documentário. O Turno (2020), de Laura Carreira, às 20h, é uma curta-metragem de ficção sobre uma jovem trabalhadora temporária que retrata a sua condição vulnerável e insegura, sempre à beira do desemprego e da pobreza.

Às 20h15, é a vez de Os Emigrantes (2009), de José Vieira, que documenta a aldeia de São Vicente da Raia em Agosto, onde quase todos os habitantes emigraram em busca de uma vida melhor e regressam nessa altura como se fossem estrangeiros, carregando em si a ruptura com o seu mundo familiar.

Tal como noutros anos, a «Monstrinha na Festa» dá a ver o melhor do cinema de animação de todo o mundo em duas sessões especialmente dirigidas às crianças, no sábado (às 11h30) e no domingo (11h). Tiago Galrito (Monstra) comentará filmes de diversas origens (Alemanha, Brasil, Bulgária, China, França, Irão, Itália, Noruega, Países Baixos, República Checa e Rússia).

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