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«Cidade, Diálogos» regressa a Coimbra

A partir de 14 de Abril, A Escola da Noite leva novamente ao Teatro da Cerca de São Bernardo o trabalho com textos de Gonçalo M. Tavares e encenação de António Augusto Barros. 

CréditosEduardo Pinto / A Escola da Noite

Cidade, Diálogos, 71.ª criação d'A Escola da Noite, estreou-se em Maio de 2021 e regressa agora ao palco do Teatro da Cerca de São Bernardo, no âmbito do ciclo «Trabalhos da Casa», com o qual a companhia assinala o seu trigésimo aniversário.

Construída a partir de textos do livro O Torcicologologista, Excelência, de Gonçalo M. Tavares, conta com as interpretações de Ana Teresa Santos, Igor Lebreaud, Miguel Magalhães e Paula Garcia, espaço cénico de António Augusto Barros e João Mendes Ribeiro, figurinos e adereços de Ana Rosa Assunção, luz de Danilo Pinto, som de Zé Diogo e vídeo de Eduardo Pinto.

O Torcicologologista, Excelência divide-se em duas partes: «Diálogos» e «Cidade». Na primeira, «duas excelências, dois senhores que se tratam com muito respeito vão falando sobre várias questões e acima de tudo sobre o absurdo da linguagem, tentando entender o mundo e tentando entender os buracos da linguagem».

«O diálogo – afirmou Gonçalo M. Tavares a propósito deste livro – obriga a aparecerem coisas que não apareceriam de outra maneira. O diálogo verdadeiramente diálogo é aquele que me obriga a dizer algo que eu não diria se não tivesse um interlocutor».

Na segunda parte, um número indeterminado de humanos cumpre um ritual de voyeurismo cínico. Através de microscópicas visões das pequenas tragédias, gestos, afectos, paixões e equívocos dos observados, parecem perseguir a utopia de radiografar, apreender, a vida da cidade, o pulsar da sua humanidade. «É uma espécie de zoom por uma cidade, tentando pensar o que é uma cidade», afirmou o autor.

O espectáculo d'A Escola da Noite cruza as duas partes do livro e prossegue a «investigação sobre a linguagem» que o próprio escritor assumiu como característica da obra.

A escolha da obra de Gonçalo M. Tavares insere-se numa das linhas de trabalho em que assentam o projecto e a linguagem artística d'A Escola da Noite: a transposição cénica de textos não especificamente teatrais – poesia, contos, parábolas –, caminho que levou já a companhia a autores como Thomas Bernhard, Kafka, Ruy Duarte de Carvalho, Javier Tomeo ou José Rubem Fonseca. 

A nova temporada decorre entre 14 e 30 de Abril (excepto no dia de Páscoa), de quinta a domingo. 

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