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António Lobo Antunes: Numa grande fábrica cabe um grande escritor

O acervo pessoal do escritor português terá abrigo numa biblioteca com o seu nome, a construir em Benfica, Lisboa. De acesso livre a todos os leitores e estudiosos da sua obra.

António Lobo Antunes 
António Lobo Antunes CréditosMário Cruz / Agência Lusa

«Corresponde a um desejo meu deixar ao país os meus papéis, os meus livros, as minhas condecorações, e nada melhor que deixá-los à câmara da cidade onde nasci e onde me sinto bem» declarou ontem António Lobo Antunes, durante a assinatura do protocolo que estabelece a doação.

O autor oferece cerca de 20 000 títulos, de que fazem parte a sua bibliogafia, quer os da sua autoria, publicados em Portugal e as respectivas traduções que continuam a ser feitas por esse mundo fora, mas também o conjunto da sua biblioteca pessoal.

A antiga Fábrica Simões, em Benfica, está actualmente a ser reabilitada para acolher o espólio, que será posteriormente disponibilizado para consulta à cidade e aos lisboetas e «constituirá não só um espaço de investigação e divulgação junto dos docentes dos vários níveis de ensino, mas também uma oportunidade de investigadores se sediarem na freguesia e contribuírem para o seu desenvolvimento cultural, económico e social», de acordo com o protocolo.

António Lobo Antunes nasceu em 1942, na freguesia de Benfica, em Lisboa. Licenciado em medicina, serviu como médico militar na guerra colonial, cuja experiência retratou num dos seu primeiros livros, Cus de Judas, de 1979. Um dos mais importantes e reconhecido autores portugueses, tem sido frequentemente considerado um perene candidato ao Nobel da literatura.

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