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Arménio Carlos: «Não estamos disponíveis para um diálogo de faz-de-conta»

À saída do encontro entre a CGTP-IN e o primeiro-ministro indigitado, o sindicalista realçou o combate à precariedade e a melhoria das condições de trabalho como elementos imprescindíveis à estabilidade do País.

O Secretário-Geral da CGTP/IN, Arménio Carlos, participa numa acção de protesto da FESETE e dos seus sindicatos filiados com deslocação à sede da ATP - Associação Texteis e Vestuário de Portugal, em protesto pelo
CréditosHugo Delgado / Agência Lusa

Em declarações aos jornalistas, Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-IN, falou sobre os principais pontos discutidos, esta manhã, com primeiro-ministro indigitado, António Costa.

O dirigente referiu que o aumento do salário mínimo nacional, o combate à precariedade e a revisão das normas gravosas da legislação laboral são alguns dos elementos estruturantes para os próximos anos. «Não podemos avançar na valorização dos direitos dos trabalhadores enquanto continuarmos a ter uma legislação do trabalho que, não só reduz os rendimentos, como põe em causa a contratação colectiva», insistiu, reafirmando que tem de haver uma revisão desta legislação.

«Há vários exemplos que demonstram que aquilo que está em marcha em termos de legislação do trabalho não é para combater a precariedade mas para a acentuar», denunciou o dirigente, falando de casos de trabalhadores que estão há 20 anos no mercado de trabalho e que «nunca conheceram outra realidade que não a de um contrato precário». «Todos nós sabemos que eles estão a desenvolver serviço permanente em postos de trabalho permanentes», declarou.

Considerando que a correlação de forças resultante destas eleições «não é muito diferente da anterior», afirmou que o PS deve ter em conta que a expressão do voto foi no sentido de «melhorar o que se fez», acrescentando que não podem ser criadas «expectativas» que, sem resposta, se transformem em «frustrações».

Em relação à estabilidade do País para a próxima legislatura, Arménio Carlos explicou que «se um governo minoritário tem a abertura e a humildade para fazer opções que respondam às necessidades dos trabalhadores e das populações, esse é o melhor factor para assegurar a estabilidade económica e social do País». Se, pelo contrário, «promover desequilíbrios do ponto de vista das relações do trabalho e acentuar as desigualdades, naturalmente que com isso estará a criar instabilidade».

«É caso para dizer que o futuro da estabilidade do País está nas mãos do Governo consoante as respostas que dê às nossas reivindicações. Não estamos disponíveis para um diálogo de faz-de-conta», concluiu.

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