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Trabalhadores das pedreiras: «ou fazemos em segurança ou não fazemos»

Passado um ano dos trágicos acontecimentos nas pedreiras de Borba, os trabalhadores do sector dos mármores decidiram lançar uma campanha sobre segurança e saúde nos locais de trabalho.

Créditos / diariodosul.com.pt

Com o objectivo de exigir melhores condições de trabalho e um efectivo combate aos riscos profissionais, os trabalhadores do sector dos mármores, após a realização de diversos plenários nas empresas, decidiram, no Encontro Regional realizado neste fim-de-semana, em Bencatel (Vila Viçosa), lançar uma campanha sob o lema «Ou fazemos em segurança, ou não fazemos!», informou a Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (Feviccom/CGTP-IN), em nota à imprensa.

A campanha sobre segurança e saúde nos locais de trabalho integrará medidas e acções concretas, para que «novos acidentes não se verifiquem» e para que as pedreiras de mármore deixem de ser «autênticos poços de morte, aos quais os trabalhadores descem todos os dias, sem saberem se regressam», lê-se no documento.

Assinala-se hoje um ano sobre os dramáticos acontecimentos ocorridos nas pedreiras de Borba que conduziram à morte de cinco pessoas, entre elas um trabalhador do sector dos mármores. Na antiga Estrada Nacional 255, que liga Borba a Vila Viçosa, colapsou um troço da via, arrastando para o interior de duas pedreiras, com uma profundidade de 50 metros, uma retroescavadora e duas viaturas civis.

Entretanto, há dez dias, a 9 de Novembro, um novo acidente de trabalho ocorrido numa pedreira de mármore, em Vila Viçosa, voltou a trazer para a ordem do dia o problema da falta de segurança nas pedreiras. Os trabalhadores denunciam que a falta de segurança para trabalhar «continua a ser uma realidade», que as responsabilidades continuam por apurar e que há mudanças concretas estão por efectivar.

O sindicato alerta para o facto de as condições de trabalho nas pedreiras continuarem a caracterizar-se por uma elevada insegurança, por baixos salários e pela ausência de mudanças «qualitativas» nas condições de trabalho. Simultaneamente, mantém-se a «inexistente ou ineficaz» inspecção e fiscalização por parte das entidades responsáveis, nomeadamente da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), apesar da acção e intervenção dos trabalhadores e das propostas e exigências colocadas.

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