|direitos dos trabalhadores

Sonae utiliza dados dos trabalhadores sem consentimento

Trabalhadores são pressionados para usar a ferramenta IOP, que dispõe sem a sua autorização dos dados pessoais para efeitos de marketing e os disponibiliza a outras empresas.

Paulo de Azevedo, presidente do Conselho de Administração da Sonae
Paulo de Azevedo, presidente do Conselho de Administração da Sonae CréditosJosé Coelho / LUSA

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP/CGTP-IN), em comunicado, denuncia a ferramenta IOP (sigla para o inglês «Improving our People» – melhorar as nossas pessoas) e esclarece as suas intenções, que considera «perversas».

«A maioria dos trabalhadores desconhece que os seus dados pessoais e de celebração de contrato estão numa base de dados de terceiros, a empresa a quem a Sonae encomendou tal ferramenta», alerta o sindicato. Ainda no final de 2018, já depois de reunido várias vezes com a administração para resolver as preocupações denunciadas pelos trabalhadores, a estrutura sindical elaborou um documento informativo contendo uma minuta de recusa desse sistema.

Não obstante, para justificar e aumentar a utilização do IOP, a administração começou a canalizar para o sistema as avaliações e os recibos de vencimento, utilizando o argumento da «diminuição da pegada ecológica», o que está em contradição com a sua política distribuição em grande escala dos folhetos aos clientes.

O CESP acrescentou ainda no comunicado informações sobre vários parâmetros do sistema em questão, para contribuir para o esclarecimento dos trabalhadores. Afirmou que a fotografia e os dados pessoais são cedidos a outras empresas e usadas sem o consentimento dos trabalhadores, e que a progressão na empresa só foi retirada do perfil por intervenção do sindicato. 

O sistema dispõe também de um motor de busca que permite «encontrar todos os perfis criados para os trabalhadores» não garantindo assim a protecção dos seus dados, «numa espécie de rede social interna gerida unilateralmente pela empresa», lê-se na nota.

Os trabalhadores exigem o «direito de se opor ao tratamento dos seus dados pessoais para efeitos de utilização na ferramenta IOP ou de qualquer outra forma de prospecção», que sejam utilizados para «efeitos de marketing da empresa» ou comunicados a terceiros sem o seu conhecimento e consentimento, concluiu o sindicato.

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