O «bom patrão» recusa envolver-se no conflito no SAMS

Os trabalhadores do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilha (SBSI/UGT) e dos Serviços de Assistência Médico-Sociais (SAMS) dos bancários avançam para nova greve em Março. Líder da UGT põe-se de lado para não «afrontar» o sindicato de que foi dirigente.

Fachada do hospital do SAMS em Lisboa
Fachada do hospital do SAMS em LisboaCréditosTiago Petinga / Agência LUSA

Os seis sindicatos que representam os trabalhadores em causa denunciam que o secretário-geral da UGT se recusou a receber os representantes sindicais porque «tal constituiria uma afronta ao SBSI». Carlos Silva, também ele bancário e ex-dirigente do SBSI, entre 1997 e 2000, não se quer envolver no conflito despoletado pelo sindicato filiado na central sindical que dirige – poucos dias depois de se ter assumido como um «bom patrão», em entrevista ao Observador.

Os trabalhadores denunciam que o SBSI requereu «a caducidade das convenções colectivas que subscreveu com os sindicatos» em causa – dos enfermeiros (SEP), dos serviços (CESP), dos médicos da zona Sul (SMZS), dos técnicos superior de saúde (STSS), dos profissionais de farmácia (SIFAP) e dos fisioterapeutas (SFP).

Os seis sindicatos, os dois primeiros filiados na CGTP-IN e os restantes não-filiados, dizem que o sindicato filiado na UGT interrompeu «as negociações para a revisão» das convenções há três anos de forma «inexplicável». Entretanto, pretende aproveitar as alterações legislativas que permitem a caducidade dos instrumentos de contratação colectiva.

Esta intenção foi avançada ao Ministério do Trabalho em Novembro passado, numa altura em que se discutia o acordo de concertação social que viria a ser assinado pela UGT e pelas confederações patronais. No documento, os patrões comprometeram-se a não requerer a caducidade das convenções por 18 meses, a partir de Janeiro deste ano.

Apesar do compromisso patronal, o «bom patrão» entendeu ficar de fora da discussão sobre o pedido de caducidade que teve como protagonista, não qualquer empresa, mas um sindicato. Os trabalhadores falam em «indignação e revolta pela atitude injusta e prepotente destes sindicalistas­-patrões», mas afirmam-se determinados «em travar todas as lutas que sejam obrigados a realizar» na defesa dos seus direitos.

Os trabalhadores do SBSI e dos SAMS já cumpriram um dia de greve, a 11 de Janeiro, com uma adesão de 100% em vários serviços, nomeadamente no hospital em Lisboa e no Serviço de Fisioterapia do Centro Clínico.