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Hotel Meira quer encerrar restaurante: seis postos de trabalho em risco

A administração da unidade hoteleira alega quebra acentuada de receitas em 2020 para encerrar o restaurante e proceder ao despedimento, mas o Sindicato da Hotelaria do Norte faz contas diferentes.

Créditos / agoda.com

«Foi o restaurante e o seu serviço esmerado que permitiram a transformação da antiga pensão» de há 85 anos no moderno Hotel Meira, em Vila Praia de Âncora, afirma a estrutura sindical em nota de imprensa, sublinhando que, ao longo dos anos, o restaurante foi sempre importante para a «viabilização desta empresa familiar».

O documento dá conta do excelente crescimento de receitas obtido pela empresa entre 2015 e 2019, na ordem dos 52%, e acrescenta que, por comparação com 2018, no ano passado a ocupação do hotel subiu 24%. «Por conseguinte, as receitas e a ocupação do hotel acompanharam a boa situação geral do sector do Turismo», nota o Sindicato da Hotelaria do Norte (CGTP-IN).

«O restaurante é fundamental para o futuro do hotel. Sem restaurante o hotel pode correr sérios riscos»

Sindicato da Hotelaria do Norte

A administração justifica a decisão anunciada de encerramento do restaurante e de despedimento colectivo de seis dos 31 trabalhadores do hotel com «uma quebra acentuada em 2020, devido à crise sanitária provocada pela Covid-19».

O sindicato adverte, no entanto, que esta unidade hoteleira no distrito de Viana do Castelo tem muitas reservas de grupos e clientes individuais com serviço de meia pensão, pelo que «o restaurante é fundamental para o futuro do hotel. Sem restaurante o hotel pode correr sérios riscos», alerta.

Na reunião de informação e negociação, o perito da comissão sindical nomeado lembrou que a empresa recorreu ao lay-off e recebeu apoios do Estado – tendo os trabalhadores sido muito penalizados –, recordou que a empresa pode continuar a recorrer aos apoios em caso de necessidade, e sublinhou que o motivo alegado pela empresa – a questão da Covid-19 – não é um motivo legal para despedir, sendo temporário e circunstancial, tendo-se oposto ao despedimento colectivo e pedido a sua suspensão, lê-se na nota.

Na reunião, em que foi «requerida informação complementar para aferir melhor os fundamentos, motivos e critérios alegados pela empresa», esteve também representado o Ministério do Trabalho, que, acusa a estrutura sindical, «nada fez para parar este processo de despedimento colectivo que não tem pés nem cabeça».

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