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Medina ainda não falou com os trabalhadores

CM Lisboa quer aprofundar precariedade na CarrisBus

A nova proprietária da Carris apresentou uma proposta de acordo de empresa que «consagra a precariedade como norma», denuncia o sindicato. Os trabalhadores criticam ainda desregulamentação de horários e a tabela salarial proposta.

Os trabalhadores da CarrisBus asseguram a manutenção dos autocarros e eléctricos de Lisboa Créditos / Câmara Municipal de Lisboa

A negociação colectiva na CarrisBus, empresa do grupo Carris responsável pela manutenção dos autocarros, regista avanços após o agendamento de uma greve de quatro horas na segunda metade de Março e a realização de uma concentração junto à Câmara Municipal de Lisboa, a 24 de Março.

Apesar dos avanços, o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP/CGTP-IN) critica a proposta por consagrar «a precariedade como norma, pretendendo que os contratos a prazo, não sejam a exceção, mas sejam considerados como uma forma normal de contratação».

O sindicato continua a defender a integração da empresa na Carris, já que esta é indispensável ao funcionamento da operadora de transporte rodoviário, e aguarda, desde Janeiro, o agendamento da reunião pedida a Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O responsável pela nova proprietária da empresa de transportes continua sem dar qualquer resposta às solicitações dos trabalhadores, acusam.

Apesar de classificarem como «positivos» – como o direito ao transporte nos autocarros da Carris ou a introdução de diuturnidades –, a estrutura sindical demonstra, em comunicado, o seu desacordo com várias normas que constam no documento que serve de base ao processo negocial.

Para além da normalização da precariedade na empresa, criticam o alargamento do período experimental de 60 para 90 dias, não contando para efeitos de antiguidade «em violação da lei». Também a ausência de regulamentação dos horários de trabalho e a possibilidade de recurso ao banco de horas é alvo de censura dos trabalhadores, tal como é a tabela salarial proposta.

O STRUP classifica a tabela apresentada como «completamente desfasada da realidade», já que vai do salário mínimo aos 730 euros – um valor abaixo do que já ganham hoje alguns dos trabalhadores que estão há mais tempo na empresa.

Greves mantêm-se na CarrisBus

A greve parcial agendada até 16 de Abril vai ser prolongada até ao final do mês, informa o sindicato, que apela aos trabalhadores da empresa que participem nas comemorações populares do 25 de Abril e no desfile do 1.º de Maio promovido pela CGTP-IN, em Lisboa.

A proposta de acordo de empresa vai agora ser discutida pelos trabalhadores em plenários nos vários locais de trabalho, agendados pelo STRUP.

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