Quinze vezes em 18 meses. Esta terça-feira, as ruas de Bruxelas encheram-se novamente de dezenas de milhares de pessoas em protesto contra a política de austeridade defendida pelo governo belga, visando reduzir direitos de segurança social, impor condições de trabalho mais duras e cortar verbas para financiar a guerra e o armamento.
«Hoje, novamente, 75 mil pessoas tomaram as ruas de Bruxelas: trabalhadores dos sectores público e privado, metalúrgicos, cuidadores, professores, funcionários públicos, ONG, trabalhadores da cultura, jovens, mulheres, movimentos democráticos e da paz», declarou o Partido do Trabalho da Bélgica (PTB-PVDA).
«O que está a ser questionado hoje não é apenas uma medida isolada», acrescentou o partido de esquerda. «É todo o projecto Arizona: um modelo em que os direitos da classe trabalhadora são sacrificados para dar prendas aos ultra-ricos e libertar mais milhares de milhões para a guerra.»
«A este modelo, opomos outra escolha: justiça social, respeito pelo trabalho, solidariedade e paz», defendeu.
Protesto continuado contra medidas que prejudicam o povo
Desde que assumiu o poder, a coligação liderada por Bart De Wever propôs inúmeras medidas a que sindicatos e outras organizações se opuseram, classificando-as como roubo dos salários e prejudiciais às condições de vida e de trabalho.
Entre estas, contam-se a alteração à idade da reforma, grandes penalizações para os trabalhadores que se reformem antes dos 67 anos ou a diminuição da protecção social. Em virtude da mobilização, algumas destas medidas foram alteradas ou metidas na gaveta e, recentemente, o governo Arizona voltou a adiar a reforma das pensões.
«A espinha dorsal da nossa sociedade tem vindo a opor-se a este governo há 18 meses – e com êxito. As pessoas estão a redescobrir o seu poder colectivo. Isso é algo que não se pode desfazer», sublinhou Peter Mertens, secretário-geral do PTB-PVDA, no Twitter (X).
Em seu entender, a mensagem ao governo é clara: «ninguém quer a reforma das pensões, ninguém quer a política de trabalhar mais tempo por uma reforma mais pequena, ninguém quer a penalização da reforma. Ninguém quer as contas de energia a explodir enquanto milhares de milhões fluem para as armas e as multinacionais do petróleo enchem os bolsos.»
Preocupação com o aumento do custo de vida
Juntamente com as maiores centrais sindicais do país, Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB-ABVV) e Confederação de Sindicatos Cristãos (ACV-CSC), muitas outras organizações participaram na mobilização nacional desta terça-feira, expressando preocupação com o aumento do custo de vida e alertando para a pressão crescente sobre os serviços sociais, devido à degradação das condições de vida.
A FGTB-ABVV, que em Março último destacou a necessidade de travar a reforma das pensões do governo e de «acabar com o tabu sobre novas fontes de financiamento», que devem ser procuradas no seio daqueles que «têm os bolsos mais fundos», expressou esta terça-feira a sua satisfação com o facto de o governo ter recuado em «várias questões essenciais», devido à pressão das ruas.
«Juntos, continuamos a fazer ouvir as nossas vozes. Juntos, continuamos a luta. Porque a acção compensa», sublinhou a central sindical.
Entretanto, já foi anunciada uma nova manifestação nacional para dia 14 de Junho em Bruxelas, pela justiça social, contra as políticas europeias de rearmamento e a guerra.
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