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Governo mexicano reclama investigação da morte de migrante sob custódia do ICE

No segundo mandato de Donald Trump, pelo menos 14 mexicanos faleceram sob custódia do Serviço de Imigração e Controlo de Fronteiras (ICE) ou em operações contra migrantes nos EUA.

No segundo mandato de Donald Trump, marcado pela ofensiva anti-imigração e pela extrema violência das forças federais, 177 192 mexicanos foram detidos Créditos / TeleSur

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do México (SRE, na sigla em castelhano) exigiu uma investigação exaustiva ao falecimento de um cidadão mexicano sob custódia do ICE no centro de detenção de Adelanto (Califórnia, EUA).

Com esta morte, ocorrida na noite de 25 de Março, as autoridades mexicanas registam 14 casos de cidadãos que perderam a vida sob a custódia de autoridades federais norte-americanas ou em operações levadas a cabo contra migrantes, no decorrer do segundo mandato de Donald Trump, em 2025 e 2026.

Em comunicado, a diplomacia mexicana informou, na sexta-feira à noite, que o consulado em San Bernardino havia sido notificado da transferência de um cidadão para um hospital em Victorville, onde veio a falecer por causas que ainda não estavam oficialmente determinadas.

Denúncia de negligência médica

No documento, o ministério aponta a existência de «graves omissões e evidentes deficiências na prestação de cuidados de saúde» no centro de detenção de Adelanto.

Neste contexto e com o propósito de esclarecer cabalmente os factos, refere que a representação consular se mantém em contacto com as autoridades pertinentes para conhecer a causa de morte, o relatório médico completo e as circunstâncias anteriores ao falecimento.

«O governo do México esgotará todos os meios legais e diplomáticos para dar visibilidade a esta problemática e resolver este caso, reiterando o seu compromisso de garantir a protecção e a dignidade dos cidadãos mexicanos no estrangeiro», refere o comunicado.

«Inaceitáveis e dolorosas»

Na semana passada, o coordenador para a América do Norte do SRE, Roberto Velasco, referiu-se às mortes de mais de uma dezena de cidadãos mexicanos em operações contra migrantes ou sob custódia do ICE, entre 2025 e 2026, como «inaceitáveis e dolorosas», indica a TeleSur.

Participando numa das conferências de imprensa diárias de Claudia Sheinbaum, o funcionário governamental precisou que em seis dos casos as mortes ocorreram por «complicações médicas», quatro cidadãos faleceram por suicídio, dois durante operações do ICE e um num tiroteio ocorrido nas instalações do serviço.

Velasco informou que o executivo liderado pela presidente Sheinbaum enviou 14 notas diplomáticas a Washington expressando a sua «enorme preocupação e repúdio» pelo facto de as coisas estarem a «ocorrer desta forma», e que, em resposta, recebeu 12 comunicações do Departamento de Estado norte-americano a dar conta da abertura de processos de investigação em 12 dos casos.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Juan Ramón de la Fuente, revelou que, no segundo mandato de Trump, marcado pela grande ofensiva contra os migrantes e pela extrema violência dos agentes federais, o ICE deteve 177 192 mexicanos, 13 722 dos quais permanecem em centros de reclusão.

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