«As Mães-Avós da Quinta da Princesa: da Ancestralidade ao Chão» é um trabalho que será apresentado por Carolina Leão, coordenadora do projecto. O objectivo principal, segundo apurou o AbrilAbril, era o envolvimento das populações, sobretudo das mulheres, no sentido da sua apropriação a um bairro onde viveram depois do 25 de Abril, vindas muitas delas como imigrantes das ex-colónias, numa amálgama de culturas e experiências.
«Na Quinta da Princesa, bairro da freguesia de Amora, concelho do Seixal, um colectivo de mulheres — Mães-Avós vindas de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e da comunidade cigana de Portugal — escreveu, nas últimas décadas, uma das mais belas e silenciadas páginas de construção comunitária em território urbano», lê-se na apresentação.
Longe dos holofotes e das estatísticas, estas mulheres «inventaram formas próprias de produzir e reproduzir a vida: do «junta mão» da horta colectiva ao parlamento informal onde se decidem os rumos da comunidade; da guerrilha económica das vendedoras de peixe à pedagogia da rua que educa as crianças na diversidade e no cuidado». Práticas reveladoras de uma economia comunitária que «não separa o trabalho da vida, a produção do afecto e o sustento da dignidade».
Realizado entre Janeiro de 2023 e Dezembro de 2025, o projecto envolveu um processo de Educação Popular, na perspectiva de Paulo Freire. «Um exercício em que educadoras e educandas saem das suas zonas de conforto para organizar uma acção educativa — num primeiro momento, de alfabetização — saindo da sala colectiva para as ruas do bairro», refere o MDM. Uma experiência que traduz a «ousadia de aprender a ler na maturidade adulta», a atitude de conquistar o direito a uma habitação digna, «a procura de mobilização das vizinhas e dos vizinhos para melhorar as condições de salubridade e, ainda, o levantar das vozes para interlocução com as instituições do Estado».
«A escuta sensível, a cocriação de saberes e a acção coordenada foram pressupostos que afirmaram este território como local de produção de conhecimento e, portanto, seria preciso instigar a sua (re)apropriação pelos sujeitos que lá habitam», esclarece o movimento.
Depois de «As mulheres Contam», «Quinta da Princesa Com Elas tem Vida» resultou de uma candidatura do MDM, promovida pela Câmara Municipal do Seixal, ao Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa.
A celebração comunitária de três anos de «história, luta e afecto» acontece este sábado, pelas 15h30, no Clube da Quinta da Princesa, no Seixal.
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