A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) chama a atenção para o facto de o Governo, ao mesmo tempo que aponta para aquisição de 12 comboios de alta velocidade, por parte da CP, com opção para mais oito, num investimento de 584 milhões de euros destinado a uma empresa privada, avançar também para a concessão a privados das linhas de Cascais, Sintra/Azambuja, Sado e Suburbanos do Porto. Isto é, as linhas que transportam mais passageiros.
Trata-se de uma decisão que, segundo a Fectrans, «não visa melhorar o transporte ferroviário nem reforçar a capacidade da CP», mas sim «garantir milhões de euros» aos grupos privados, «que nada terão de investir, num modelo sempre lucrativo para esses grupos», considerando que os investimentos são públicos e os lucros serão privados.
A Federação sublinha que se a intenção do Governo fosse a de tornar a gestão mais eficiente, isso «poderia ser concretizado no quadro da própria CP, dotando-a dos meios necessários», entre outros aspectos, do número de trabalhadores em falta e «acolhendo as inúmeras propostas apresentadas pelas suas organizações representativas». Por outro lado, destaca a contradição de um Governo «que reconhece a importância estratégica da ferrovia e da CP», mas pretende entregar a «espinha dorsal do transporte ferroviário aos interesses privados», uma opção que não vai melhorar o serviço e «abre caminho à precarização, à redução de direitos e à submissão do interesse público às prioridades das empresas concessionárias».
A Fectrans afirma que os ferroviários não só «não se opõem à modernização», como «defendem uma ferrovia moderna», embora rejeitando «um modelo que utiliza dinheiros públicos para criar condições de negócio altamente lucrativas para operadores privados».
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