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Plano 2020/2030 ignora agricultura familiar, diz CNA

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defende que a «Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030» ignora a importância estratégica da agricultura familiar.

Créditos / Vida Rural

A CNA, que participou na consulta pública ao documento afirmado como principal alavanca financeira e económica do País, defende que o mesmo «ignora a importância estratégica da agricultura familiar».

«A Visão é cega ao trabalho dos agricultores, dos produtores florestais e de todos os que, apesar de enormes dificuldades, contribuem para a alimentação das populações, para a defesa dos recursos nacionais e para a economia nacional, já que nunca refere o "Estatuto da Agricultura Familiar" e muito menos a sua urgente concretização, desvalorizando a importância de resposta a uma situação de eminente, mas ainda evitável, e grave crise económica e social», refere num comunicado enviado ao AbrilAbril

A Confederação alerta ainda para aspectos como os baixos preços à produção e o aumento dos preços ao consumidor, «em especial no período de estado de emergência», mas também para os cortes orçamentais no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual e as exíguas verbas previstas no «Fundo de Recuperação». 

Realça que este cenário «contraria a necessidade de apoiar as organizações da lavoura e o movimento associativo/cooperativo, os circuitos curtos de comercialização» e os jovens agricultores, «em especial aos filhos dos pequenos e médios agricultores que asseguram a continuidade da actividade», frisando também a necessidade de apoios ao investimento para pequenos armazenamentos de água, na remodelação e recuperação do regadio tradicional ou de outros pequenos regadios no País.

Quanto à floresta, a CNA rejeita que se culpabilize a pequena propriedade «por todos os males», enquando a grande indústria de transformação de madeira mantém há décadas, «com a cumplicidade dos sucessivos governos», os preços da madeira em baixa na produção, impossibilitando a gestão dos terrenos.

A estrutura defende que os «novos» projectos que pretendem valorizar a floresta, a paisagem e o ambiente devem ser acessíveis aos pequenos e médios produtores florestais, impedindo «o assalto à propriedade privada da agricultura familiar (e também aos baldios) para fundos de investimento ou para grandes empresas».

A CNA salienta ainda que o apoio e valorização das zonas do Interior ou de baixa densidade «é positivo», mas tem que ser acompanhado da abertura e reversão do encerramento de serviços públicos essenciais, como centros de saúde, escolas, correios e transportes.

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