A luta pela paz apresenta-se como uma exigência da actualidade e, em Portugal, o CPPC, a CGTP-IN, o MPPM e o Projecto Ruído têm sido das principais estruturas a dinamizar esta luta. No próximo dia 10 de Outubro, estas mesmas organizações voltam a convocar todos aqueles que querem a paz no mundo, a saírem à rua e reforçarem as suas exigências.
O contexto, porém, parece ser cada vez mais perigoso. No apelo que dá corpo à manifestação, as organizações promotoras lançam duras críticas à inacção das instituições europeias, e, ao AbrilAbril, Isabel Camarinha, presidente do CPPC, lembrou que «o genocídio do povo palestiniano que Israel vem cometendo há três anos se mantém e que a própria Organização das Nações Unidas o admite e questiona».
Para além do número de mortes, da destruição e da falta de entrada de ajuda humanitária em Gaza, Isabel Camarinha aponta ainda aos ataques de colonos israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém Leste, contrários ao direito internacional. Face a isso, defende que «era preciso que, de facto, deixasse de haver o apoio que existe dos Estados Unidos da América a Israel neste genocídio e nesta ocupação que continua».
Sobre Portugal e a União Europeia, a entrevistada considera que o reconhecimento do Estado da Palestina, embora «tardio, mas bem», não tem sido acompanhado do esforço necessário. «Portugal não tem feito o esforço que podia fazer, inclusive agir na União Europeia, que acaba o acordo entre a União Europeia e Israel».
Sobre o encontro do ministro dos Negócios Estrangeiros com a embaixadora da Palestina, Isabel Camarinha não vê aí uma cedência isolada, mas sim o resultado natural de uma pressão que a luta pela paz tem feito: «a verdade é que Portugal reconheceu o Estado da Palestina, portanto, é natural que haja relações com a embaixadora da Palestina no nosso país». Apesar deste elemento, a mesma entende que o Governo está longe de ter encetado todos os esforços que poderia fazer.
Recorde-se que o Governo português continua a defender apenas a suspensão parcial do acordo de associação Portugal-Israel. Na óptica do CPPC, adianta Isabel Camarinha, a posição portuguesa é insuficiente. «Continua a aceitar-se, no fundo, o genocídio», acusa.
Para a presidente do CPPC é necessário que Portugal assuma uma posição mais vincada na defesa da Palestina e, no actual contexto, ao assumir um assento no Conselho de Segurança da ONU, deve exigir «que termine o genocídio, que Israel saia da faixa de Gaza, que acabe com a invasão de colonatos na Cisjordânia e em Jerusalém» e o cumprimento do direitos do povo palestiniano a um Estado independente com as fronteiras anteriores a 1967.
É num quadro institucional adverso que a luta pela paz se tem travado. Camarinha recorda que, no ano passado, realizaram uma campanha nacional entre Setembro e Novembro de apoio à causa do povo palestiniano, de exigência do fim do genocídio, que teve mais de 158 organizações subscritoras, além de «um vasto conjunto de iniciativas» e de «várias manifestações», já este ano. O objectivo tem sido «exigir exactamente o fim do genocídio, o fim da ocupação e o reconhecimento total dos direitos do povo palestiniano».
Nesse sentido, a unidade é determinante. Para a manifestação do próximo sábado, Isabel Camarinha explica que, «cada organização que subscreve, pode divulgar a manifestação pelos seus próprios meios e apelar à ajuda ao seu público-alvo», sublinhando que se trata de «organizações que abarcam áreas muito diversificadas de acção». Por isso, «a divulgação da manifestação por cada uma destas organizações e o apelo à participação são uma mais-valia para, de facto, termos uma mobilização maior» e para dar «uma dimensão maior a esta solidariedade com o povo palestiniano».
A presidente do CPPC denunciou ainda a tentativa de criminalização de que a solidariedade com a Palestina está a ser alvo. «E que se está a tentar no nosso país também, embora talvez com uma dimensão não tão agressiva, mas em muitos países o que se está a tentar é a criminalização da solidariedade, que é uma coisa completamente inacessível», afirma. Deste modo, Isabel Camarinha é categórica e afirma que «não podemos compactuar com isso», sendo que a resposta deve ser mais mobilização e mais rua. «Mais razão ainda temos para sair à rua, para exigir, para mobilizar em torno desta solidariedade, mas não só solidariedade. Como exigências de tomadas de medidas pelos governos do mundo, pelas Nações Unidas e também por Portugal», reiterou.
A manifestação de 10 de Outubro, às 15h, no Largo Camões, afirma-se, por isso, como um momento de convergência e de exigência: contra o genocídio e a ocupação, mas também por um mundo de solidariedade, soberania e paz.
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