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E se fossemos governados por referendos?

Se Portugal fosse governado por referendos, a ANA-Aeroportos ainda estaria ao serviço do País, assegurando a complementaridade entre a gestão dos aeroportos, o hub de Lisboa e a TAP.

CréditosRegis Duvignau / Reuters

Um senhor que, sob o manto enganoso de uma certa independência, regularmente surge nos écrans de nossas casas a pensar por nós sobre todos os assuntos, a falar de tudo e de nada e a debitar «verdades absolutas», não raramente desmentidas pela realidade, como se dominasse todas as matérias, qual menino prodígio. Não, não estamos a falar de Marques Mendes.

Desta vez, trata-se de um outro senhor que, habitualmente, escreve num semanário e que, esta semana, se aventura a dizer que, se Portugal, tal como a Suiça, fosse governado por referendos, a TAP já teria chegado ao fim.

E se o nosso País fosse governado por referendos, a transportadora aérea nacional teria sido entregue à Azul e ao senhor Neeleman?

Se Portugal fosse governado por referendos, a ANA-Aeroportos não teria sido entregue à multinacional Vinci por um período de 50 anos. Nem a multinacional francesa teria já arrecadado um lucro operacional de aproximadamente mil milhões de euros, acima da previsão que indicara ao governo PSD/CDS-PP, com um investimento inferior em 80 milhões de euros, em relação ao que se tinha comprometido.

Se Portugal fosse governado por referendos, a ANA-Aeroportos ainda estaria ao serviço do País, garantindo o controlo público dos aeroportos nacionais e assegurando a complementaridade entre a gestão dos aeroportos, o hub de Lisboa e a existência da companhia aérea nacional.

Se Portugal fosse governado por referendos, por exemplo, os portugueses teriam permitido ao capital estrangeiro comprar as empresas estratégicas nacionais, os bancos portugueses teriam sido entregues ao capital espanhol, os grupos económicos poder-se-iam endividar para pagar dividendos acima dos lucros e as altas produtividades nas multinacionais poderiam gerar baixos salários?

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