Foi com muitas promessas, em jeito de propaganda, que o Governo anunciou esta quarta-feira que a Lufthansa foi a empresa escolhida para adquirir 49,9% da TAP. Para o ministro das Infraestruturas este foi «um dia histórico». No entanto, tanto as implicações como o negócio em si suscitam preocupações.
Veja-se que, ao contrário do que é veiculado pela propaganda da direita, a TAP gera mais-valias a Portugal, com a TAP SA a dar lucro e a empresa a render mais 100 milhões de euros por ano para o Orçamento da Segurança Social, e outro tanto para o IRS, de onde se percebe a força de trabalho altamente qualificada que a companhia integra.
Além deste elemento, surgem também os moldes do negócio. Apesar de o Governo afirmar que o país sai a ganhar, a escolha da Lufthansa nunca foi explicada, não sendo de conhecimento público a avaliação feita, assim como os acordos que serão feitos e futuros contratos.
Este manto de secretismo reporta-nos à anterior privatização da TAP, em que Miguel Pinto Luz também esteve envolvido na operação que, comprovou-se mais tarde, foi realizada com contornos suspeitos. À data, também ao arrepio do interesse nacional, o consórcio liderado por David Neeleman e Humberto Pedrosa, o Atlantic Gateway, comprou 61% da TAP utilizando dinheiro desta.
Neste caso, o negócio parece não configurar os mesmos moldes, porém, pouco ou nada se sabe, a não ser promessas de eventuais investimentos. O que é afirmado é que o dinheiro da venda serve para recuperar o dinheiro nela investido durante a pandemia, sendo que o que fica comprovado é que o Estado fica privado dos lucros gerados pela empresa.
Um dos elementos marcantes da narrativa do Governo é o facto de não alienar a totalidade da companhia aérea. O que o Executivo, no entanto, não revela é que o controlo da empresa passa directamente para a empresa alemã através de um acordo parassocial. A par deste aspecto, o Governo prepara-se para alienar o resto da sua participação de forma faseada, como já admitiu.
Esta venda segue uma linha de actuação de uma direita que age à revelia dos interesses nacionais, apesar da ultilização da bandeira na lapela. A venda da TAP a um grande grupo económico estrangeiro, que não foi o único com apetite pela companhia aérea, prossegue a linha da alienação de sectores estratégicos nacionais que colocam em causa a soberania de Portugal e o país mais frágil e permeável a interferências externas.
Para já, o Governo sabe que tem do seu lado PS, Chega e Iniciativa Liberal no quadro de uma convergência de classe que tem correspondência política prática, sendo revelador de um conjunto de opções que não têm em conta os destinos do país, mas sim dos grandes grupos monopolistas estrangeiros.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui