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Gestão da Sata «não é transparente»

A CDU denuncia que as contas e relatórios da companhia aérea SATA, com capital público, «são tudo menos transparentes» e provocam inquietação ao povo açoriano.

O PCP denuncia a postura do Governo Regional que «continua por todos os meios a tentar passar a ideia de que não existe qualquer problema com a política de transportes na Região»
Créditos / CC-BY-SA-3.0-DE

«De cada vez que são divulgados os relatórios e contas do Grupo SATA crescem as dúvidas e multiplicam-se as pontas soltas em relação à sua gestão financeira. Mas a administração e o Governo Regional, ao invés de serem correctos e transparentes quanto à estratégia de recuperação da SATA, afirmam que o conhecimento desta estratégia só provocaria "confusão significativa" ou que "não está pronto"», critica a coligação PCP-PEV num comunicado.

A CDU sublinha que «é urgente corrigir as políticas adoptadas para a empresa e para o sector», a quem atribui a responsabilidade do «desastre financeiro» da companhia aérea, e insiste que a solução passa por uma estratégia de crescimento e expansão que considere as dinâmicas do mercado do transporte aéreo. 

«Terá de passar forçosamente por uma reestruturação organizacional que responda de forma coordenada, ágil e eficaz às exigências competitivas deste mercado», esclarece.

Segundo a coligação, aquilo a que se tem assistido na gestão da SATA e no seguimento da política estratégica definida pelo Governo Regional para a empresa «está longe de tranquilizar», sendo que o cenário que se apresenta «provoca uma inevitável inquietação em quem, como o povo açoriano, tanto depende desta companhia».

Entretanto, lembra que as diversas organizações representativas dos trabalhadores da SATA há muito denunciam «sucessivos erros», reclamando uma «correcta e adequada gestão que sirva de facto a empresa».

No passado dia 18 de Agosto, a Comissão Europeia autorizou Portugal a financiar a transportadora açoriana e abriu uma investigação para avaliar o cumprimento das normas comunitárias noutros apoios públicos à companhia.

Ao invés dos 163 milhões de euros pedidos pela empresa, a verba autorizada foi de 133 milhões e com o objectivo de «dotar a empresa de recursos suficientes para fazer face às suas necessidades urgentes e imediatas de liquidez até ao final de Janeiro de 2021». Isto apesar de, alerta a CDU, a companhia aérea precisar de ser capitalizada e reestruturada «muito antes» do surto epidémico de Covid-19.

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