«Água pública não se vende, garante-se e defende-se»

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local realiza hoje, em Vila Real de Santo António, o segundo e último dia de uma tribuna pública contra a privatização dos serviços de água e saneamento.

Os trabalhadores denunciam que o investimento previsto é «diminuto» e a qualidade dos serviços «não está garantida»
Os trabalhadores denunciam que o investimento previsto é «diminuto» e a qualidade dos serviços «não está garantida»Créditos

A acção, que teve início ontem, realiza-se entre as 10h e as 18h, na Praça Marquês de Pombal desta cidade raiana, e tem como objectivo sensibilizar trabalhadores e população para a manutenção da água sob controlo público.

Num comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) explica que «o executivo municipal, de maioria PSD, pretende entregar à Aquapor os serviços de água e saneamento em baixa, hoje assegurados pela empresa municipal Sociedade de Gestão Urbana (SGU)».

Acrescenta-se na nota que o actual presidente da autarquia não irá prestar contas, nem assumir responsabilidades perante este acto, «que terá consequências nefastas para os trabalhadores e a população de Vila Real de Santo António (VRSA)», dado que, por ter atingido o limite de mandatos, não poderá candidatar-se às próximas autárquicas.

Entre as possíveis consequências do processo de privatização, os trabalhadores avançam o aumento «brutal» das tarifas e a redução do número de funcionários «em cerca de metade, passando dos actuais 54 para 28».

Na acção foi lançado um abaixo-assinado, intitulado «A Água Pública não se vende, garante-se e defende-se!». O documento exige o «fim imediato do processo de privatização/concessão dos serviços de água e do saneamento, actualmente a cargo da empresa municipal VRSA-SGU, bem como a manutenção da gestão da água sob controlo público, orientada por valores de solidariedade, participação e responsabilidade ambiental».

Os representantes dos trabalhadores defendem ainda que, além da privatização não permitir equilibrar a «difícil» situação financeira do município, os «contratos milionários constituirão um pesado encargo adicional para o próximo executivo autárquico que, em última análise, o fará reflectir sobre todos os munícipes».