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Acção reivindica «mais habitação, mais população» em Lisboa

Mais de 60 pessoas participaram numa acção mobilizada pela Associação do Património e População de Alfama, com o apoio da Associação de Inquilinos Lisbonenses e do Movimento Morar em Lisboa.

CréditosPaulo António / AbrilAbril

«A Covid-19 e as medidas para travar o avanço da pandemia deixaram a nu as consequências destas opções políticas e económicas, os problemas agravaram-se e agora Alfama e outros bairros estão sem habitação e sem população», pode ler-se na resolução aprovada esta quinta-feira pelos mais de 60 participantes.

Em declarações ao AbrilAbril, Lurdes Pinheiro, da Associação do Património e População de Alfama, afirmou que «as pessoas têm sido expulsas deste bairro» desde a promulgação da «lei dos despejos», que ainda não foi revogada.

Com o surto epidémico, «não há turismo, não há pessoas, temos o bairro completamente vazio», disse Lurdes Pinheiro, lembrando que as pessoas continuam sem casas e que este problema não é exclusivo de Alfama. Ainda assim, antes da epidemia, o alojamento local ocupava perto de 60% dos fogos disponíveis nesta zona.

«Este é um bairro histórico e popular, pelo que queremos chamar a atenção da Câmara e vamos continuar a resistir», frisou.

Nesta acção participaram moradores de Alfama e também pessoas de outros bairros onde se abordou «o problema da cidade». «Não vivemos numa ilha, não estamos desligados de tudo o que se passa em Lisboa», sublinhou Lurdes Pinheiro.

Na resolução aprovada, exige-se que o Governo concretize «uma política que dinamize o arrendamento habitacional, estabelecendo rendas compatíveis com os salários», e que o Parlamento revogue a «lei dos despejos».

Exorta-se ainda a Câmara Municipal de Lisboa a abandonar a «errada opção única pelo turismo» e a concretizar «programas municipais de habitação a custos controlados, com rendas acessíveis para aqueles que aqui vivem e trabalham».

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