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Trabalhadores da Saúde do Quebeque em luta por melhores salários e condições

Os trabalhadores da Saúde da maior província do Canadá iniciaram uma greve de dois dias a 8 de Novembro e já anunciaram nova paralisação para este mês, após o falhanço das negociações com o governo.

Trabalhadores filiados na FIQ protestam, em Setembro de 2023, por melhores condições no sector da Saúde no Quebeque 
Trabalhadores filiados na FIQ protestam, em Setembro de 2023, por melhores condições no sector da Saúde no Quebeque Créditos / FIQ Santé

A greve no sector da Saúde da província canadiana foi convocada pela Fédération interprofessionnelle de la santé du Québec (FIQ), com os trabalhadores a reafirmarem a reivindicação, colocada no final de Outubro, de um «acordo justo» e a expressarem a vontade de manter a pressão até que sejam alcançados avanços significativos.

No decorrer das negociações que tiveram lugar entre as parte desde que o convénio colectivo do sector expirou, a 31 de Março último, o governo do Quebeque não conseguiu responder às principais preocupações dos profissionais, em que se incluem enfermeiros, terapeutas respiratórios e perfusionistas clínicos, indica o portal Peoples Dispatch.

«Numa altura em que a rede de saúde se está a desmoronar, em que os profissionais sacrificam a sua saúde física e mental para prestar cuidados aos pacientes e em que a qualidade do atendimento está em risco, a proposta demonstra a falta de respeito do governo pelos trabalhadores, que são sobretudo mulheres», afirmou Julie Bouchard, presidente da FIQ, em declarações à Public Services International antes do início da greve.

Enquanto os trabalhadores exigiam melhores rácios profissionais/pacientes e uma maior valorização do trabalho por turnos, o governo apresentou propostas que permitiriam que os profissionais da Saúde fossem colocados em diferentes locais de trabalho, independentemente da sua vontade.

Mobilização convocada pela FIQ no Quebeque / lesoleil.com

Para o sindicato, isto seria mais um ataque ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, que já se encontra sob pressão devido à carga de trabalho e, nalguns casos, ao facto de os trabalhadores serem confrontados com a necessidade de trabalhar em mais do que um emprego para chegar ao fim do mês.

A organização sindical destacou que a questão não é estritamente a escassez de profissionais da Saúde, uma vez que existem actualmente mais de 80 mil enfermeiros, 4500 terapeutas respiratórios e cerca de uma centena de perfusionistas clínicos na região do Quebeque. O problema está relacionado com as más condições de trabalho no sector público, «suficientemente más para empurrar os profissionais» para fora do sector.

São necessárias medidas sistémicas e de fundo, não paliativas

Este ano, o próprio governo regional assumiu o problema, ao publicar dados que mostram que mais de 20 mil funcionários da Saúde abandonaram o sistema em menos de dois anos, colocando uma enorme pressão sobre os hospitais, que encerraram centenas de camas e aumentaram os tempos de espera para determinadas cirurgias.

A resposta do governo regional centrou-se na contratação de enfermeiros de países francófonos do Norte de África, Médio Oriente e Caraíbas, num contexto em que o sindicato alertou que o «êxodo» estava relacionado com as condições de trabalho e o cansaço extremo (burnout), questões que exigem não medidas paliativas, mas melhorias de fundo e sistémicas.

Mais de 80 mil trabalhadores da Saúde no Quebeque fizeram greve esta quarta e quinta-feira, em defesa de melhores salários e condições // Lauren McCallum / CBC

Neste sentido, representantes da FIQ afirmaram em repetidas ocasiões que, sem uma mudança de atitude governamental, não haveria melhorias nas actuais tendências de degradação das condições de trabalho e da qualidade do atendimento.

A greve dos trabalhadores da Saúde dá continuidade a uma onda de paralisações no sector público da província, que exige uma resposta adequada ao aumento do custo de vida.

Na segunda-feira passada, mais de 400 mil trabalhadores do sector público, incluindo os da Educação e dos Serviços Sociais, fizeram greve, convocada pela United Front.

Considerando que as propostas do governo regional são insuficientes e desprezam o sector público, os sindicatos já anunciaram uma nova onda de paralisações na terceira semana deste mês. No caso da Saúde, a FIQ anunciou uma greve de 48 horas a 23 e 24.

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