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Tensão e confrontos nas Honduras depois de Hernández ser declarado vencedor

O actual presidente e candidato pelo Partido Nacional, Juan Orlando Hernández, foi declarado vencedor três semanas após a realização das eleições presidenciais. Salvador Nasralla, candidato da oposição, chamou-lhe «impostor» e os confrontos prosseguem nas ruas.

Apoiantes de Salvador Nasralla vieram para as ruas mostrar a sua revolta depois de Juan Orlando Hernández ser declarado vencedor numas eleições marcadas por suspeitas de fraude
Apoiantes de Salvador Nasralla vieram para as ruas mostrar a sua revolta depois de Juan Orlando Hernández ser declarado vencedor numas eleições marcadas por suspeitas de fraudeCréditos / ibtimes.co.uk

O candidato à presidência do país centro-americano pela Aliança da Oposição contra a Ditadura, Salvador Nasralla, chamou «impostor» ao presidente das Honduras, Juan Orlando Hernández, que ontem foi declarado vencedor das eleições celebradas a 26 de Novembro último, pelo Supremo Tribunal Eleitoral (STE).

«É óbvio que existiu fraude antes, durante e depois das eleições. O presidente da República neste momento é um impostor, e o povo hondurenho sabe-o», afirma Nasralla num vídeo divulgado nas redes sociais.

O candidato da Aliança deslocou-se a Washington para ali se reunir com executivos da Organização de Estados Americanos (OEA) e funcionários da administração norte-americana, tendo por fito encontrar uma resposta internacional que acabe com a crise política e institucional que se vive nas Honduras, no contexto da qual cerca de duas dezenas de pessoas já perderam a vida.

Rejeição da declaração do STE

Por seu lado, o coordenador-geral da Aliança, o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, afirmou que o povo das Honduras e a Aliança rejeitam a declaração oficial do STE, que acusam de executar uma fraude em conluio com Hernández, informa a Prensa Latina.

Zelaya rejeitou igualmente o posicionamento da União Europeia, cujos observadores afirmaram não ter encontrado qualquer irregularidade na recontagem dos votos, segundo refere a agência Reuters. Tal posicionamento «deu aval à fraude», disse Zelaya, que criticou também o facto de o STE ter declarado o vencedor numa altura em que Nasralla estava a viajar para Washington.

O coordenador-geral da Aliança da Oposição contra a Ditadura instou os hondurenhos a vir para as ruas e a defender a vontade do povo expressa no dia das eleições, que – afirmou – deu a vitória a Nasralla.

De acordo com a Reuters e a TeleSur, depois de Hernández ser declarado vencedor, registaram-se fortes protestos na capital, Tegucigalpa, e noutras cidades do país, que, mais uma vez, foram reprimidos com violência pela Polícia Militar.

21 dias depois

Ontem, 21 dias após a realização das eleições, o STE declarou Hernández como presidente eleito, depois de divulgar os «resultados oficiais», de acordo com os quais Juan Orlando Hernández obteve 42,95% dos votos e Salvador Nasralla 41,42%.

O último denunciou praticamente desde o início a existência de «fraude». Um dia depois das eleições e com cerca de 60% das actas escrutinadas, o candidato da oposição aparecia à frente do actual presidente com 5% de vantagem, mas, dois dias volvidos, depois de «problemas técnicos» na página do STE, Orlando Hernández passou para a frente – o que levantou suspeitas.

Entretanto, a OEA pôs em causa a decisão da autoridade eleitoral e, num comunicado emitido ontem, propôs a realização de novas eleições, tendo em conta as irregularidades verificadas no processo eleitoral, que classificou como sendo de «muito baixa qualidade».

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