A habitual marcha das quartas-feiras levada a cabo pelos reformados argentinos teve um carácter diferente, esta semana, ao contar com o apoio de múltiplas organizações sociais e milhares de trabalhadores mobilizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e as duas centrais dos Trabalhadores da Argentina (CTA e CTA Autónoma).
As reivindicações centrais passavam pelo fim da política de austeridade implementada pelo executivo de Javier Milei e os cortes promovidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), entre denúncias de destruição de 300 mil empregos e a exigência reafirmada de uma nova política para reformados e pensionistas, bem como de um aumento salarial de urgência.
Depois de uma manhã marcada por acções de protesto em várias cidades do país austral, onde organizações de bairro reclamaram ao governo que mantenha os apoios aos refeitórios populares e a ajuda social às zonas mais carenciadas, milhares de pessoas começaram a juntar-se, ao início da tarde, na Avenida de Maio e arredores, para participar na marcha de apoio aos reformados até ao Congresso.
Durante a manifestação, no meio de uma enorme operação de «segurança», trabalhadores e reformados foram falando à imprensa sobre a deterioração das suas condições de vida
«Viemos protestar contra os baixos salários, as dificuldades que estamos a viver, tudo o que as pessoas necessitadas estão a passar», disse Víctor. Por seu lado, Daniel, reformado do Hospital Garrahan, disse que se estava a manifestar «por causa da situação do país, dos pensionistas e da sociedade em geral. O governo mantém-se no poder através do medo e da repressão que utiliza contra o povo. É um governo neoliberal; não podemos esperar outra coisa».
Nova fase de luta
Por seu lado, representantes sindicais destacaram que esta é a primeira etapa de um plano de luta contra as políticas de «austeridade férrea» do governo de Milei.
Em declarações à Prensa Latina, Hugo Cachorro Godoy, secretário-geral da CTA-A – que seguia à cabeça da marcha com outros dirigentes sindicais –, referiu que esta quarta-feira davam início a uma «nova etapa do plano de luta da classe trabalhadora».
«Esta tarde, estamos a abraçar os reformados e os movimentos sociais, que estão a sofrer cortes nas pensões, cujo sistema de segurança social querem desfinanciar, e ainda retiram a única fonte de rendimento que têm 950 mil pessoas, sobretudo mulheres, que são as responsáveis por manter em funcionamento os refeitórios populares, os centros comunitários e o programa de distribuição de leite», denunciou o dirigente sindical.
Por isso, «os trabalhadores organizados juntam-se aos que menos têm, e este plano de acção vai confrontar e derrotar este governo vendido, e é isso que vamos defender», disse ainda Godoy, anunciando que o movimento sindical vai «construir uma marcha nacional que percorra o país e uma greve geral massiva que derrote definitivamente este governo».
Reformados são um dos sectores mais atingidos
Por seu lado, Agustín Lecchi, secretário-geral do Sindicato da Imprensa de Buenos Aires, que também participava na manifestação, disse à Prensa Latina que os reformados são um dos sectores mais afectados pelo modelo económico de austeridade de Javier Milei e do movimento La Libertad Avanza.
«Estamos no meio de uma luta que está apenas a começar, e precisamos de a intensificar para procurar pôr um travão às políticas de austeridade deste governo», acrescentou.
«Todo o movimento sindical está aqui hoje. Há centenas de sindicatos, que representam quase toda a indústria, todos os serviços, sindicatos dos sectores público e privado, dos metalúrgicos, da indústria alimentar, dos trabalhadores das oleaginosas, dos professores, da imprensa, da televisão, da energia – todos os sectores», explicou Lecchi.
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