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Prossegue a matança de dirigentes sociais e agricultores na Colômbia

Margarita Estupiñan e Ana María Cortés foram mortas na terça e na quarta-feira, respectivamente. De acordo com o Indepaz, 118 dirigentes sociais foram assassinados este ano na Colômbia.

Líderes sociais, defensores dos direitos humanos e dirigentes de organizações de agricultores, defensoras da reforma agrária e da participação voluntária na substituição de cultivos de uso ilícito, continuam a ser assassinados na Colômbia
Líderes sociais, defensores dos direitos humanos e dirigentes de organizações de agricultores, defensoras da reforma agrária e da participação voluntária na substituição de cultivos de uso ilícito, continuam a ser assassinados na ColômbiaCréditos / elcampesino.co

Margarita Estupiñan, com trabalho social reconhecido na sua comunidade, presidia à Junta de Acção Comunal do bairro El Recreo, no município de Tumaco. De acordo com a TeleSur, recebeu várias ameaças ao longo do tempo.

Na terça-feira à noite, foi abordada por um grupo de desconhecidos quando se encontrava à entrada de sua casa e atingida mortalmente com vários disparos.

Por seu lado, Ana María Cortés foi assassinada ontem ao final da tarde, em Cáceres (departamento de Antioquia), município onde exerceu as funções de coordenadora da campanha do candidato presidencial Gustavo Petro.

Os assassinatos de Estupiñan e Cortés juntam-se ao do dirigente social Luis Barrios Machado, presidente da Associação de Juntas de Acção Comunal do município de Palmar de Valera (departamento do Atlântico), ocorrido na terça-feira.

Um dia antes, Felicinda Santamaría foi assassinada no município de Quibdó (departamento de Chocó). Era presidente da Junta de Acção Comunal do Bairro Virgen Del Carmen, em Quibdó, e ex-presidente do Conselho de Paz, Reconciliação e Convivência.

Com o assassinato de Margarita Estupiñan e Ana María Cortés, sobe para sete o número de dirigentes sociais mortos no país sul-americano nos últimos oito dias, segundo referia o El Espectador na sua edição de ontem.

Tendo em conta «esta onda», diversas organizações agendaram para a próxima sexta-feira, às 18h, mobilizações com velas, em todo o país, com o lema «Estão-nos a matar», acrescenta o periódico.

De acordo com Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), em 2018 foram assassinados na Colômbia 118 dirigentes sociais.

Massacre em Argelia

No passado dia 2, foram encontrados os corpos sem vida de sete pessoas na vereda Desiderio Zapata, em Argelia (departamento do Cauca), apresentando sinais de tortura. Alguns meios de comunicação procuraram imputar a elementos do Exército de Libertação Nacional (ELN) a responsabilidade dos factos.

No dia 4, a Delegação de Diálogos do ELN emitiu um comunicado em que denuncia a «falsidade» dessas notícias, lamenta a continuidade da «guerra suja» e lembra que a região, durante longos anos sob influência das FARC-EP, é hoje pasto de «numerosos grupos de criminosos, grupos de paramilitares da extrema-direita, das Forças Armadas e Polícia».

Em Argelia, como em Tumaco, os homens humildes continuam a ser «os condenados da terra», na medida em que não se avança na implementação dos Acordos de Havana, nomeadamente no que respeita à questão central do conflito colombiano – a terra e os seus recursos –, e o Estado não respeita o programa acordado sobre a substituição de cultivos de uso ilícito.

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