O ministro sionista das Finanças, Bezalel Smotrich, intensificou a retórica contra a Cisjordânia ocupada, defendendo uma guerra na região semelhante à guerra genocida levada a cabo por Israel na Faixa de Gaza desde Outubro de 2023 e exigindo o desmantelamento da Autoridade Palestiniana.
Em declarações divulgadas este domingo pela imprensa, o líder extremista disse que o seu país deve «entrar em guerra» na Cisjordânia ocupada e «fazer lá o que fizemos em Gaza».
«Certamente tenho soluções» para a situação na Cisjordânia, disse. «Penso que precisamos de entrar em guerra na Judeia e na Samaria [termos usados pelos sionistas para se referirem à Cisjordânia], fazer lá o que fizemos em Gaza, desmantelar a Autoridade Palestiniana, que é uma autoridade terrorista», acrescentou, citado por The Cradle e outras fontes.
O líder do partido Sionismo Religioso defendeu ainda que Israel deve anexar as zonas do Sul do Líbano e as de Gaza que foram ocupadas pelas forças israelitas.
«Gostaria muito de anexar pelo menos [o território] até à "Linha Amarela" em Gaza e até o [rio] Litani, no Líbano», declarou.
No âmbito do genocídio perpetrado contra os palestinianos desde Outubro de 2023, Israel ocupou cerca de 70% da Faixa de Gaza, território que se encontra dividido por uma «linha amarela» que separa as áreas sob ocupação directa israelita daquelas que permanecem sob controlo palestiniano. No Sul do Líbano, as tropas israelitas ocuparam um território equivalente a 7% do país, refere a fonte.
Tanto num território como noutro, Israel leva a cabo campanhas de demolição, procurando eliminar qualquer vestígio de localidades palestinianas e libanesas – que já tinham sido amplamente destruídas pelos bombardeamentos sionistas.
Enterrar de vez a ideia de um Estado palestiniano
As declarações de Smotrich foram efectuadas depois de ter sido questionado, num podcast, sobre a forma de fazer avançar o projecto de Israel na Cisjordânia, no contexto da resistência palestiniana.
Recorde-se que Israel intensificou, este ano, a construção de colonatos e postos avançados ilegais na Cisjordânia, incluindo o colonato E1.
O E1, divulgado em Agosto, foi concebido para dividir a Cisjordânia ao meio e a separar de Jerusalém Oriental ocupada, tornando impossível o estabelecimento de um Estado palestiniano territorialmente contíguo.
«Hoje, qualquer pessoa no mundo que tente reconhecer um Estado palestiniano receberá uma resposta da nossa parte no terreno. Hoje, estamos a escrever um capítulo histórico na saga da redenção do povo de Israel na sua terra», disse o ministro sionista no passado dia 14 de Agosto, um dia depois de ter apresentado a sua «revolução» para a Cisjordânia ocupada.
Neste contexto, os colonos judeus, que contam com a protecção do exército, realizam regularmente ataques violentos, ao estilo de pogroms, contra aldeias palestinianas, com o intuito de obrigar as populações a abandonar as suas casas e terras agrícolas.
Cerca de 750 mil colonos judeus vivem em 160 colonatos e 360 postos avançados por toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental. Só em Agosto, a Comissão de Resistência ao Muro e à Colonização documentou 628 ataques perpetrados por colonos no território.
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