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Mais de 1600 crianças morreram nos últimos cinco anos

As ingerências do imperialismo levaram à morte ou ao desaparecimento de mais de 1600 menores entre 2014 e 2018. No Mar Mediterrâneo jaz o maior número de vítimas. 

Os pertences pessoais dos migrantes e refugiados num barco de borracha a 60 milhas a norte de Al-Khums, na Líbia, depois de serem resgatados por trabalhadores da ONG espanhola Proactiva Open Arms. Deixaram a Líbia tentando chegar ao solo europeu. 20 de Fevereiro de 2018, Mar Mediterrâneo.
Os pertences pessoais dos migrantes e refugiados num barco de borracha a 60 milhas a norte de Al-Khums, na Líbia, depois de serem resgatados por trabalhadores da ONG espanhola Proactiva Open Arms. Deixaram a Líbia tentando chegar ao solo europeu. 20 de Fevereiro de 2018, Mar Mediterrâneo.CréditosOlmo Calvo / AP

De acordo com um relatório da Organização Internacional das Migrações (OIM), hoje divulgado, mais de 1600 crianças migrantes morreram ou desapareceram entre 2014 e 2018 quando tentavam chegar sozinhas ou com as suas famílias a um lugar seguro.

As crianças fazem parte dos 32 mil migrantes mortos ou desaparecidos registados no mesmo período, embora a OIM alerte que os dados estejam incompletos e que o número real de vítimas seja certamente maior, em particular entre menores, cujos casos são menos relatados do que os de adultos.

Todos estes dados são recolhidos pelo Projecto de Migrantes Desaparecidos da OIM, que divulga um relatório anual desde 2014 e que este ano conta pela primeira vez com a colaboração do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Segundo as estatísticas, o maior número de vítimas ocorre no Mediterrâneo, com 17 900 vítimas registadas (2014-2018), havendo ainda 12 000 casos em que se desconhece o paradeiro ou não foram recuperados os corpos.

Em 2018, houve uma redução de 26% nas mortes no Mediterrâneo (2299 face a 3239 em 2017), embora a OIM alerte que foi acompanhada por uma redução acentuada – de dois terços – no número de migrantes que tentam atravessá-lo (de 144 301 há dois anos para 45 648 em 2018).

No ano passado, houve também um forte aumento de vítimas na rota ocidental do Mediterrâneo, que correspondem àquela que os migrantes tomam para tentar chegar à costa espanhola, com registo de 811 mortes, em comparação com 224 um ano antes.

A rota central, para os migrantes que tentam chegar a Itália ou a Malta desde a Líbia, continua a ser a mais perigosa, com 1314 mortes e desaparecimentos, embora o número significasse uma redução de mais de metade em relação a 2017.

As ingerências do imperialismo, as guerras de agressão da NATO e o apoio dos países ocidentais a grupos ditos «rebeldes» e «terroristas» que operam no Médio Oriente têm servido de rastilho para a violência e desestabilização em várias regiões do planeta, levando a que as populações fujam e procurem refúgio na Europa.

1907 morreram na fronteira entre o México e os EUA

Outra rota «arriscada» é a fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde 1907 pessoas morreram nos últimos cinco anos, incluindo 26 crianças, embora apenas no primeiro semestre deste ano tenha aumentado para outros 13.

A fotografia divulgada esta semana dos corpos de um pai e da sua filha de 23 meses, que morreram afogados quando tentavam atravessar clandestinamente a fronteira México-EUA, suscitou a indignação internacional ao mostrar o drama migratório vivido naquela região.

Esta semana também vieram à tona os maus-tratos a crianças detidas no EUA, designadamente no Texas, onde centenas de menores estavam há várias semanas enjauladas, sem acesso a cuidados básicos como alimentação e higiene, e onde as  crianças de sete e oito anos estavam responsáveis por cuidar dos bebés.  


Com agência Lusa

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