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Israel declara guerra aos «papagaios e balões» de Gaza

O governo israelita ameaçou intensificar as operações militares na Faixa de Gaza caso persista o lançamento de papagaios por menores de idade palestinianos.

Faixa de Gaza criança ocupação Israel
Um rapaz palestiniano junto a uma lixeira em Deir al-Balah (Centro de Gaza), onde recolheu material para combustível Créditos / Al Mayadeen

Diversos papagaios com que as crianças brincam na Faixa de Gaza levaram o governo israelita a proferir ameaças de assassinatos e evacuação de bairros residenciais, mesmo depois de as tropas da ocupação terem reconhecido que os materiais recuperados nas imediações do enclave não continham material suspeito e não representavam qualquer perigo, refere a Anadolu.

Com base em informações recolhidas no terreno, a agência turca afirma que estes papagaios são comummente lançados por crianças por brincadeira, como forma de escape e alívio às duras condições que vivem nos campos de deslocados, criadas pela ofensiva genocida israelita no enclave.

Os papagaios, feitos com os materiais disponíveis nestas condições, são presos por fios ao chão; se um fio se parte, o vento pode levá-los «para além de Gaza», para o território da Palestina histórica ocupado em 1948, onde hoje existem algumas zonas residenciais israelitas.

Ameaças israelitas

Meios de comunicação israelitas noticiaram nos últimos dias que vários papagaios chegaram a essas zonas do país ocupante e, apesar de não terem sido encontrados materiais explosivos, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o seu ministro da Defesa, Israel Katz, ameaçaram este domingo intensificar as operações militares se os lançamentos continuassem.

Num comunicado conjunto, Netanyahu e Katz avisaram que o exército da ocupação iria «intensificar as operações de assassinatos» contra aqueles que considera responsáveis, bem como evacuar a população palestiniana de zonas áreas de onde Israel afirma que são lançados papagaios, balões ou drones.

No mesmo dia, Katz ordenou às tropas que actuassem de forma imediata contra papagaios e balões provenientes de Gaza.

«Um balão é como um papagaio, e um papagaio é como um drone, independentemente de transportar explosivos ou não», disse, citado pela Anadolu.

«Brinquedos de crianças»

As ameaças, encaradas como algo ridículo, também geraram preocupação no seio dos palestinianos, temendo que Israel utilize «os papagaios» como pretexto para uma escalada militar.

Um porta-voz da resistência palestiniana, Hazem Qassem, refutou as queixas israelitas contra aquilo a que chamou «brinquedos de crianças nos campos de deslocados».

«Estas ameaças, baseadas em pretextos fabricados, são uma tentativa de justificar a continuação da agressão e das violações contra o nosso povo, chegando ao ponto de ameaçar as crianças na Faixa de Gaza», disse Qassem.

O responsável palestiniano instou os EUA, os estados mediadores e os garantes do cessar-fogo a pressionarem Israel no sentido de pôr fim aos ataques que, disse, estão a minar um cessar-fogo totalmente cumprido pela parte palestiniana.

As forças de ocupação sionistas têm violado repetidamente o acordo de cessar-fogo alcançado em Outubro de 2025, com a parte palestiniana a documentar 4379 violações israelitas até esta segunda-feira, que provocaram pelo menos 1288 mortos.

Desde o início da ofensiva genocida contra a Faixa de Gaza, em Outubro de 2023, as forças de ocupação mataram pelo menos 73 422 palestinianos e deixaram feridos 174 401.

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