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|Colômbia

Gustavo Petro denuncia fraude eleitoral na contagem dos votos

Dias antes da posse de Abelardo de la Espriella, anunciado vencedor do pleito, o presidente cessante da Colômbia denuncia uma fraude matemática no sistema de votação. Entenda as acusações.

Um «Presidente ilegítimo» é como Gustavo Petro caracteriza Abelardo de la Espriella caso este se torne Presidente da Colômbia. Em vésperas de tomada de posse, esta sexta-feira , dia 7 de Agosto, Petro convocou uma conferência de imprensa para expôr as suas suspeitas relattivamente ao último processo eleitoral, realizado em Maio.

As irregularidades no processo concentram-se em três factores: a existência de um mecanismo de edição dos votos; a falta de transparência e auditoria; e os padrões matemáticos anormais na contagem.

Mecanismo de edição dos votos

De acordo com a denúncia, o sistema de contagem de votos não contém um mecanismo de segurança fundamental, o «código hash», que impede a edição dos formulários E-14 onde constam os votos. Na ausência deste código, os formulários tornam-se ficheiros editáveis mesmo após a conclusão da votação, «violando tratados internacionais e leis nacionais» segundo o Opera Mundi.

«Os 120 mil ficheiros eleitorais não possuem o código de segurança para impedir que sejam alterados. O responsável pelo registo eleitoral mentiu ao público quando disse que havia um código de segurança: trata-se simplesmente de um código para identificar cada formulário, não de um mecanismo para impedir modificações», enfatizou Petro.

Falta de transparência e auditoria

Além da falta do código hash, Petro também acusa o serviço de Registo Nacional de enganar a população ao ter divulgado falsamente códigos alfanuméricos, identificadores de cada ficheiro, como sendo o tal código hash.

A transparência do Registo Nacional vinha já a ser contestada, pois na Colômbia o sistema de contagem é da responsabilidade de empresas privadas. Entreomtanto, desde 2018 que o Registo Nacional está em incumprimento com uma decisão do Conselho de Estado que determina que o software eleitoral deve ser de propriedade estatal, de forma a que não esteja sujeito à manipulação por agentes externos ou privados, para que «não seja modificável nem por dentro, nem por fora».

Padrões matemáticos anormais

Uma auditoria cidadã, a «Testemunhos Digitais», que contou com a avaliação de cerca de «mil especialistas em informática», investigou os votos por todo o país e concluiu que há um padrão matemático nos votos, algo considerado extremamente incomum e estatisticamente improvável. A anomalia diz respeito à sequência dos votos. Enquanto o típico seria que eleitores dos dois candidatos alternam-se ao longo do dia, as atas mostram outra coisa: sequências perfeitas de votantes para um e depois para outro candidato, num padrão visto em 1350 locais de votação espalhados por algumas zonas do país.

Outras evidências de manipulação levantadas pela auditoria cidadã são as incompatibilidades entre a população de um município e o número de eleitores. De acordo com o escritor Gustavo Bolívar, na sua conta no X, os dados apresentam 95 municípios com mais eleitores que habitantes e outros 405 municípios com o número de eleitores superior à 90% de sua população.

Outras alegações

«Estamos diante de uma fraude, um problema institucional profundamente grave, e trata-se da posse de um presidente ilegítimo. Toda a Constituição da Colômbia desmorona e somos uma colónia (…) isso coloca a Colômbia na sua pior crise de soberania nacional desde que a conquistamos com o exército de Bolívar», afirma Petro que, sem dar nomes concretos, aponta para uma ingerência externa no processo eleitoral colombiano.

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