O ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, caracterizou como «retumbante» a vitória obtida pelo seu país face às tentativas dos Estados Unidos de colocar obstáculos à ajuda alimentar das Nações Unidas.
Na sua conta de Twitter (X), o diplomata destacou que, «apesar das suas enormes e espúrias pressões, o governo dos EUA ficou isolado no Conselho Executivo do referido órgão da ONU, que aprovou, por 29 votos a favor e apenas dois contra, o programa que permitirá manter a cooperação dessa agência com Cuba».
O programa, que se irá prolongar até 2030, tem um orçamento superior a 116 milhões de dólares para a segurança alimentar, «num contexto marcado pelo reforço sem precedentes do bloqueio e do cerco energético dos EUA», frisou o principal representante da diplomacia cubana.
Na sessão final do período de sessões anual do Conselho Executivo do PAM, que decorreu de 23 a 26 de Junho na sede do organismo, em Roma (Itália), a grande maioria dos estados-membros deste órgão de direcção votou a favor de Cuba, e apenas Marrocos alinhou com os Estados Unidos, indica a Prensa Latina.
«Cuba não está sozinha»
A delegação de Cuba foi liderada por pelo embaixador Jorge Luis Cepero, representante permanente junto dos organismos das Nações Unidas com sede em Roma, que defendeu a posição do seu país contra as manobras dos EUA.
Cepero denunciou as pressões e as sanções de Washington, visando impedir a entrada de ajuda humanitária e dificultar a distribuição de alimentos na Ilha, em que se incluem as tentativas falhadas de instrumentalizar o PAM.
Na véspera da votação, no passado dia 25, a delegação cubana reafirmou que esta cooperação e este plano estratégico são ferramentas vitais para o desenvolvimento sustentável, num contexto complexo marcado pelo incremento das «acções genocidas» dos EUA contra o povo cubano.
Em declarações à Prensa Latina, Cepero afirmou que se trata de uma «vitória estrondosa, demonstrando que Cuba não está sozinha», e ressaltou o facto de terem sido derrotadas as «obscuras manobras» dos EUA para tentar impedir a aprovação do programa.
O embaixador cubano referiu que, com a implementação do programa, são facilitadas as operações do PAM em Cuba, inclusive o seu acesso a combustível – mesmo com todas as pressões dos EUA para bloquear a entrada de recursos energéticos no país, dificultando o trabalho das organizações internacionais.
«Isolamento de Washington» na política agressiva contra Cuba
Por seu lado, Alejandro González, director de Organizações Internacionais do Ministério cubano dos Negócios Estrangeiros, destacou que esta nova vitória diplomática para a Ilha, em Roma, evidencia o «isolamento de Washington na sua política agressiva» contra o país caribenho.
Revela ainda que «o governo dos Estados Unidos não está minimamente interessado na sorte do povo cubano», declarou à Prensa Latina.
González explicou que se trata de um programa de carácter humanitário e sensível de uma organização com a qual Cuba tem uma longa história de trabalho e cooperação, e que manteve essa ajuda na actual conjuntura, assim como noutras, ao longo de décadas, para dar resposta ao impacto de eventos climáticos extremos.
«A oposição dos Estados Unidos ao programa negociado durante meses entre Cuba, o PAM e os membros do Conselho Executivo contradiz o direito internacional e a Carta da ONU, e demonstra uma falta de interesse real na situação humanitária do povo cubano», observou González.
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