Passar para o conteúdo principal

|Palestina

Autoridades em Gaza querem evacuar centenas de edifícios em risco de colapso

O gabinete de imprensa do governo em Gaza anunciou um plano de emergência para evacuar 255 edifícios com danos estruturais, depois do colapso de um prédio na Cidade de Gaza que matou 21 pessoas.

Faixa de Gaza edifício colapso
Há uma semana, a derrocada de um edifício na Cidade de Gaza provocou a morte de 21 pessoas e deixou 45 feridos Créditos Omar Al-Qattaa / Al Jazeera

uma semana, um edifício de seis andares – que tinha sido danificado durante a guerra genocida levada a cabo por Israel e que posteriormente albergava famílias deslocadas – colapsou, provocando a morte de 21 pessoas e deixando outras 45 feridas, de acordo com o balanço mais recente da Protecção Civil no território. Cerca de 100 pessoas estavam no local.

O gabinete de imprensa do governo em Gaza responsabilizou a ocupação sionista pelo colapso, afirmando que o edifício tinha sido directamente atingido num ataque perpetrado a 9 de Outubro de 2023.

O ataque, esclareceu o organismo, atingiu as fundações do edifício, bem como o primeiro e o segundo andares, provocando graves danos estruturais que levaram, posteriormente, à sua derrocada.

Plano de emergência para edifícios em risco

O plano de emergência está a ser liderado pelo Ministério das Obras Públicas e Habitação, em cooperação com outros ministérios, instituições locais, a Protecção Civil, a polícia palestiniana e organizações internacionais e da ONU que operam na Faixa de Gaza, refere o portal palinfo.com.

Entre outros aspectos, o plano abrange notificações oficiais de evacuação aos proprietários de edifícios em situação de risco, a instalação de sinalização de aviso para impedir a aproximação de pessoas e acções para fornecer abrigos temporários às famílias afectadas.

Os órgãos competentes – revela ainda a fonte – foram também incumbidos de elaborar relatórios de campo urgentes, documentando as inspecções, as evacuações e as medidas adoptadas para proteger os moradores.

Apesar dos riscos, muitas famílias, desgastadas por três anos de ofensiva genocida e repetidamente afectadas por ordens de evacuação, recusam-se a sair dos edifícios para serem colocadas em abrigos temporários.

Além disso, o plano enfrenta também uma grave escassez de recursos financeiros, de máquinas e equipamentos pesados ​​necessários à remoção segura de edifícios instáveis, e carece de terrenos seguros que possam ser usados como abrigo para as famílias forçadas a abandonar as suas casas.

Colapso do edifício al-Saada não foi um caso isolado

O gabinete de imprensa alertou que o colapso do edifício al-Saada, na semana passada, não foi um incidente isolado, e que se enquadra num perigo mais vasto que ameaça Gaza, depois de a destruição generalizada ter causado danos graves em edifícios residenciais, infra-estruturas e instalações civis.

O organismo sublinhou que muitos edifícios danificados e com fissuras representam agora uma ameaça directa aos moradores e às famílias deslocadas que vivem no seu interior ou em seu redor, sobretudo com a aproximação do Inverno, que faz aumentar o risco de novos desabamentos.

Neste sentido, o gabinete instou o mundo, as instituições da ONU e as organizações de defesa dos direitos humanos a documentarem as violações israelitas, de modo a responsabilizar a ocupação nos tribunais internacionais e a proteger os civis e as infra-estruturas civis.

Israel coloca entraves à entrada de ajuda

Segundo refere a Al Mayadeen, um responsável da resistência palestiniana encontrou-se com mediadores e enviou mensagens a vários «países amigos e irmãos» a alertar que a situação no enclave palestiniano se irá agravar com a chegada do Inverno, bem como a denunciar os entraves que Israel coloca à entrada de equipamento pesado para remover os escombros e garantir a segurança de edifícios em risco de derrocada.

Em simultâneo, disse, a ocupação impede a entrada na Faixa de Gaza de tendas e materiais necessários para que as pessoas se protejam do frio e da chuva.

Neste sentido, exortou os mediadores e todas as partes envolvidas a pressionar Israel para que cumpra a primeira fase daquilo que foi determinado no acordo de cessar-fogo, o que implica pôr fim aos ataques e assassinatos, e permitir a entrada de ajuda e equipamentos necessários.

Ataques israelitas ao enclave continuam

Esta terça-feira, o Ministério da Saúde em Gaza revelou que quase 1400 pessoas foram mortas no enclave desde o chamado cessar-fogo implementado a 11 de Outubro do ano passado, num contexto de violações sucessivas por parte de Israel a essa trégua.

Desde que esse acordo entrou em vigor, foram registados 1399 mortos e 4863 feridos. No total, desde o início da ofensiva genocida contra a Faixa de Gaza, pelo menos 73 919 palestinianos foram mortos e 174 977 ficaram feridos.

Os ataques israelitas persistem, provocando mortos e feridos quase todos os dias, denunciou o ministério, acrescentando que a ocupação não cumpre o estipulado no acordo de cessar-fogo também no que respeita à entrada de ajuda e material logístico para o sector da saúde.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui