Pós-laboral #7

1917-2017, 100 anos passaram desde o ano que marcou o início da Revolução de Outubro. Neste ano de centenário certamente que uns aproveitarão para lembrar e celebrar, e outros para criticar e amesquinhar. Ver, ouvir e sentir a Revolução é a minha proposta, para esta semana e para este ano.

Fotograma de «Outubro», de Sergei Eisenstein
Fotograma de «Outubro», de Sergei EisensteinCréditos

Nas folhas:

John Reed, jornalista nascido em Portland, nos Estados Unidos da América, cedo descobriu que um ser humano explorar outro ser humano não era coisa boa.

Decidiu ir ver com os seus próprios olhos, reportar em cima dos acontecimentos, que é talvez a única forma de passar uma informação precisa, mesmo que com um certo ponto de vista. Em 1919 é lançada a primeira edição de Ten Days that Shook the World (Os Dez Dias que Abalaram o Mundo).

Reed, morreu pouco depois do livro ser lançado, em 1920, na União Soviética, e foi sepultado junto aos muros do Kremlin.

John Reed

Nos ecrãs:

1) Em 1928, Sergei Eisenstein lança o seu Outubro. Um filme mudo que
passa pelos acontecimentos mais marcantes da Revolução. O filme pode ser visto como um documento histórico ou simplesmente como um documento das qualidades de realização de Eisenstein, certamente um dos realizadores que transformaram o cinema e que é indispensável ver. E como o ideal é sempre juntar o útil ao agradável, Outubro é uma excelente forma de mostrar aos mais novos o que foi e para que serviu a Revolução, com o extra de os iniciar nas artes nem sempre fáceis do cinema.

«Os dez dias que abalaram o mundo»

2) Reds, de 1981. Warren Beatty quis filmar a Revolução através dos olhos de John Reed. Mais, Warren Beatty quis ser John Reed. Em 1981, Ronald Reagan tomava posse como 40.º Presidente dos EUA.

Na altura, ser comunista, socialista, qualquer coisa acabada em «ista», que visse na Revolução de Outubro um exemplo a seguir, ou pelo menos um momento marcante na conquista de tantos direitos laborais e sociais, não era fácil.

É nestas alturas que o cinema, e as artes em geral, são tão importantes, para ir contra o pensamento único, para abrir outras portas, ou pelo menos deixar que algumas não se fechem. O filme baseia-se nos relatos d' Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, e é um grande filme. Na qualidade e na duração.

Nas ruas:

Durante o ano de 2017, serão realizadas várias iniciativas sobre a
Revolução de Outubro. Este sábado, às 17h, no Fórum Lisboa, o PCP organiza a Sessão de Abertura das Comemorações do Centenário da Revolução de Outubro.