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Paulo Freire: um educador na Voz do Operário

Integrada nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, a Voz do Operário recebe a apresentação do livro «Paulo Freire Centenário. Um educador no mundo», que conta com um debate a realizar dia 22 de Abril, às 18h30.

CréditosSara Ferreira / Brasil de Fato

A sessão explora a vida e o trabalho de Paulo Freire (1921-1997) uma das figuras fundamentais na históia da pedagogia mundial. Formado em Direito, que nunca exerceu, a vida de Freire é, toda ela, dedicada à educação de crianças e de adultos analfabetos, construindo métodos (Método Paulo Freire) de ensino alternativos às lógicas conservadoras em prática na altura: respeitando as características humanas do aluno.

Obras como A Pedagogia do Oprimido, um dos livros mais citados de sempre em trabalhos de ciências sociais, tornaram-se clássicos internacionais, pelas perspectivas revolucionárias que introduziu na área da pedagogia e ensino.

Rejeitando o ensino bancário (que vê no aluno um mero sujeito passivo no qual o professor deposita informação), Paulo Freire defende uma educação emancipadora que, para além de ensinar, humaniza o educando e o educador no combate aos factores desumanizadores da sociedade: a injustiça, a opressão e a exploração do homem.

Paulo Freire, o 25 de Abril e o colonialismo português

Este livro, agora editado, reúne, nas palavras das suas organizadoras «a presença e a palavra do educador em entrevistas, em debate e em escritos autobiográficos. É a reflexão e a memória de Paulo Freire por ele mesmo, uma memória que nunca foi feita na primeira pessoa, que se faz no plural mesmo quando diz de si, mesmo quando expõe a sua sensibilidade e os modos como foi realizando sua leitura do mundo», referem Adelaide Gonçalves, Débora Dias e Fernando de la Cuadra.

O livro-homenagem «assinala momentos-chave da trajectória de Paulo Freire, o seu itinerário internacionalista» e a aplicação do seu método pedagógico, primeiro no Brasil, depois no Chile, seguido por países da América Latina, Estados Unidos, Europa, África, Ásia e Oceânia.

Para além de vários artigos, Paulo Freire Centenário. Um educador no mundo, conta com vários textos inéditos em Portugal: a conferência Sou Projecto, no seu retorno ao Chile, em 1991, e o artigo Círculos de Cultura, escrito em 1968.

São também republicados dois textos de difícil acesso em Portugal: Alfabetização e consciencialização – Paulo Freire e Militantes da Base - Frente Unitária de Trabalhadores (Base - FUT), resultante de uma conversa tida em 1974 e só publicada em 1981; e Não há educação neutra, uma entrevista de Paulo Freire ao Jornal da Educação (do grupo O Jornal, que antecedeu a Revista Visão), em 1977.

A Acção Internacionalista de Paulo Freire

O evento terá lugar no dia 22 de Abril, pelas 18h30, n'A Voz do Operário, consumando um encontro entre a universidade e vários colectivos sociais e da área da educação.

No debate, em que serão tratadas questões do pensamento e acção internacionalista do educador, participarão Judite Primo (Cátedra Unesco - Universidade Lusófona), Jorge Ramos do Ó (Instituto de Educação - Universidade de Lisboa), Paula Guimarães (Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente - APCEP/Instituto de Educação - Universidade de Lisboa) e com Débora Dias (CHAM - NOVA).

Paulo Freire Centenário. Um educador no mundo, apresentado na sessão da Voz do Operário, representa também um importante contributo para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril em Portugal, expondo o pensamento de uma das mais importantes figuras da pedagogia mundial sobre as repercussões da revolução de Abril, o impacto dramático do colonialismo português, a educação em Portugal e a repressão aos seus escritos durante o fascismo português.

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