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«Lisboa Cinco L», um festival dedicado à literatura e à língua portuguesa

Um evento literário internacional, com a primeira edição em 2019, que celebre a língua, os livros, a literatura, as leituras e as livrarias em Lisboa, é o desígnio da proposta apresentada pelo PCP.

«A Feira do Livro não pode ser o único evento ligado à literatura em Lisboa», criticou Ana Margarida de Carvalho
«A Feira do Livro não pode ser o único evento ligado à literatura em Lisboa», criticou Ana Margarida de CarvalhoCréditos / NiT

Dada a conhecer, ontem, pelos eleitos comunistas João Ferreira e Ana Margarida de Carvalho, a proposta será apresentada e votada esta quinta-feira, 24, na reunião da Câmara de Lisboa. 

Para o vereador João Ferreira, existe a «necessidade de uma política alternativa no domínio da cultura, uma outra política cultural para Lisboa», criticando o actual Executivo (PS), uma vez que tem optado por uma «política centrada nos grandes eventos de cariz mais comercial». 

«Uma política que tem da cultura uma visão muito associada ao entretenimento, à animação cultural, mas que abdica de um trabalho produtivo com os agentes da cultura», acrescentou.

A proposta afirma-se como um «não à visão mercantilizada da cultura», salientou, elencando que o evento deverá «ir para além de um certo formato mais tradicional» e ter a «possibilidade de ter um alcance muito maior do que um festival tradicional poderá ter».

Para a eleita municipal Ana Margarida de Carvalho, e autora de livros como Não se pode morar nos olhos de um gato ou Que importa a fúria do mar, «é quase bizarro que Lisboa não esteja a cumprir o seu papel de defensora da cultura», frisando que esta «é uma obrigação que a cidade tem e da qual não se pode demitir», e que «a Feira do Livro não pode ser o único evento ligado à literatura em Lisboa».

A proposta não estipula uma data para a realização do evento, mas João Ferreira adiantou que «este não é um festival para ser feito no Inverno», dado o interesse de «envolver toda a cidade e retirar a literatura dos espaços comerciais, levá-la para a rua».

Em termos de periodicidade, existe a vontade que seja um evento anual, com um tema diferente em cada edição, estando ainda contemplada a remuneração «de todos os escritores, animadores culturais, leitores e actores envolvidos».

Para além da realização do festival, a proposta prevê «centralizar a responsabilidade da organização do evento no pelouro da Cultura, em articulação com as bibliotecas municipais e os serviços municipais que se considerem relevantes».

«Providenciar as medidas necessárias de forma a promover o evento em toda a cidade, em articulação com as escolas, universidades, freguesias e outros parceiros, envolvendo a população local e garantindo uma diversidade estética, diferenciação de géneros e distintos públicos», é outro dos objectivos enunciados pelos comunistas.

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