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Fotógrafo da emigração portuguesa homenageado em Paris

Gérald Bloncourt, foi homenageado este sábado, um ano após a sua morte, no Museu Nacional da Imigração, na capital francesa, pelo seu trabalho de documentação da vida dos emigrantes portugueses em França.

Gérald Bloncourt no CCB, 2008
Gérald Bloncourt no CCB, 2008CréditosTIAGO PETINGA / LUSA

Numa tarde com testemunhos da comunidade e música portuguesa, o Museu Nacional da Imigração em Paris foi palco de uma homenagem ao fotógrafo que retratou as difíceis condições de vida dos portugueses que chegaram a França nos anos 60 e 70, mas que também viajou até Portugal para imortalizar os primeiros dias da Revolução de Abril.

Gérald Bloncourt nasceu em 1926, no Haiti, de onde foi expulso no final da década de 1940 por razões políticas e passou a residir em Paris, iniciando uma carreira de fotojornalista que o levou ao encontro dos portugueses nos anos 60 nos bairros de lata dos subúrbios da capital francesa.

«Era uma forma de escravatura moderna. Havia lama no inverno, era frio. Eram barracas feitas com tábuas, bocados de chapa. Era uma vida difícil, muito rude. Os homens iam trabalhar para as obras, as mulheres ficavam com as crianças», recordou o fotógrafo à Lusa, em Abril de 2015. O primeiro «bidonville» que o repórter fotografou foi o de Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris.

Veio a Portugal durante o fascismo e, anos depois, o fotógrafo regressou, aterrando em Lisboa nas vésperas do 1.º de Maio de 1974, para «tentar fazer algumas fotos» perante «mais de um milhão de pessoas com cravos e um povo em júbilo».

«Como estava em contacto com eles [os emigrantes portugueses], avisaram-me da Revolução dos Cravos. Fui logo a Portugal de avião, encontrei um lugar e estava no mesmo avião que Cunhal. Vivi a Revolução dos Cravos. Foi uma coisa incrível», descreveu.

A homenagem deste sábado contou com o enquadramento histórico e sociológico do historiador Daniel Bastos – que organizou duas obras com as fotografias de Bloncourt – e a socióloga Maria-Beatriz Rocha Trindade, assim como Parcídio Peixoto, da associação Memórias das Migrações, que relembraram o papel do fotógrafo para os primeiros emigrantes portugueses em França.

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