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EPAL suporta borlas às poluidoras do Tejo

Os trabalhadores da EPAL rejeitam os novos encargos e repudiam o «mecenato às poluidoras do Tejo com o apadrinhamento do Ministério do Ambiente». As lamas estão a ser depositadas em património natural.

Funcionário removem espuma junto ao açude de Abrantes
Funcionário removem espuma junto ao açude de AbrantesCréditosPAULO CUNHA / LUSA

Em comunicado, a comissão de trabalhadores da Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL) denuncia que a «Operação Tejo 2018», promovida pelo Ministério do Ambiente, isenta as entidades poluidoras das responsabilidades, tranferindo-as para a empresa e para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

«Não bastando ilibar as empresas poluidoras das suas culpas e responsabilidades, ficam a EPAL e APA, a partir daqui, responsáveis pela manutenção das condições necessárias para assegurar a qualidade da água para abastecimento, arcando com os custos e impacto das operações que sejam para tal necessárias», lê-se.

Entre os novos engargos atríbuidos à EPAL e à APA, fica a responsabilidade pela limpeza das águas e sedimentos do rio Tejo, de Lisboa até Vila Velha do Rodão, onde está localizada a Celtejo.

No mesmo comunicado, os trabalhadores afirmam ser inaceitável a crescente desresponsabilização da Celtejo em todo o processo e que a coima aplicada seja substítuida por um «puxão de orelhas».

Referem que a poluição produzida pelos privados está a ser, mais uma vez, suportada pelos contribuintes, tal como foram os «tóxicos financeiros». «À EPAL faltam diariamente os meios e pessoal para assegurar com qualidade o serviço público de abastecimento e saneamento, mas quando é preciso limpar a sujeira dos privados, há disponibilidade», acrescentam.

Lamas contaminadas despejadas em monumento natural

Segundo a comissão de trabalhadores, o Ministério do Ambiente, em nome da EPAL, «requisitou oficialmente» o terreno «Barroca da Senhora», na freguesia de Vila Velha de Rodão, para depósito e tratamento dos 30 mil metros cúbicos de lamas contaminadas do Tejo.

O terreno encontra-se dentro da área do Monumento Natural das Portas de Rodão, classificado em 2009. No seu decreto regulamentar lê-se que, dentro dos limites desta área protegida, não pode haver alterações «da morfologia do solo e do coberto vegetal», estando igualmente proibida a «deposição ou vazamento de resíduos».

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