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EPAL suporta borlas às poluidoras do Tejo

Os trabalhadores da EPAL rejeitam os novos encargos e repudiam o «mecenato às poluidoras do Tejo com o apadrinhamento do Ministério do Ambiente». As lamas estão a ser depositadas em património natural.

Remoção de espuma do rio Tejo junto ao açude de Abrantes, em Janeiro de 2018. As descargas poluentes industriais em Vila Velha de Rodão foram investigadas como crime ambiental
Remoção de espuma do rio Tejo junto ao açude de Abrantes, em Janeiro de 2018. As descargas poluentes industriais em Vila Velha de Rodão foram investigadas como crime ambiental CréditosPAULO CUNHA / LUSA

Em comunicado, a comissão de trabalhadores da Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL) denuncia que a «Operação Tejo 2018», promovida pelo Ministério do Ambiente, isenta as entidades poluidoras das responsabilidades, tranferindo-as para a empresa e para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

«Não bastando ilibar as empresas poluidoras das suas culpas e responsabilidades, ficam a EPAL e APA, a partir daqui, responsáveis pela manutenção das condições necessárias para assegurar a qualidade da água para abastecimento, arcando com os custos e impacto das operações que sejam para tal necessárias», lê-se.

Entre os novos engargos atríbuidos à EPAL e à APA, fica a responsabilidade pela limpeza das águas e sedimentos do rio Tejo, de Lisboa até Vila Velha do Rodão, onde está localizada a Celtejo.

No mesmo comunicado, os trabalhadores afirmam ser inaceitável a crescente desresponsabilização da Celtejo em todo o processo e que a coima aplicada seja substítuida por um «puxão de orelhas».

Referem que a poluição produzida pelos privados está a ser, mais uma vez, suportada pelos contribuintes, tal como foram os «tóxicos financeiros». «À EPAL faltam diariamente os meios e pessoal para assegurar com qualidade o serviço público de abastecimento e saneamento, mas quando é preciso limpar a sujeira dos privados, há disponibilidade», acrescentam.

Lamas contaminadas despejadas em monumento natural

Segundo a comissão de trabalhadores, o Ministério do Ambiente, em nome da EPAL, «requisitou oficialmente» o terreno «Barroca da Senhora», na freguesia de Vila Velha de Rodão, para depósito e tratamento dos 30 mil metros cúbicos de lamas contaminadas do Tejo.

O terreno encontra-se dentro da área do Monumento Natural das Portas de Rodão, classificado em 2009. No seu decreto regulamentar lê-se que, dentro dos limites desta área protegida, não pode haver alterações «da morfologia do solo e do coberto vegetal», estando igualmente proibida a «deposição ou vazamento de resíduos».

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