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«Pressões» da nova gestão da Global Media à TSF são antecâmara da censura

O ex-director da TSF, Domingos Andrade, disse na Assembleia da República, em Comissão Parlamentar, que foi pressionado pelo fundo de investimento World Opportunity Fund para dizer quem tinha aprovado a publicação de uma determinada notícia. 

Créditos António Cotrim / Lusa

Muita tinta tem corrido sobre todos os problemas dentro da Global Media e parece que a cada questão, mas questões se levantam. Se a precariedade no jornalismo e o mesmo tornado essencialmente no modelo de negócio colocam em causa a liberdade e a democracia, o aprofundar destes elementos com a aquisição de fundos suspeitos, agrava tudo isto. 

A Global Media está a tornar-se, infelizmente, um caso de exemplo do que acontece quando se aprofunda a natureza privada do jornalismo. Despedimentos colectivos, chantagem, salários em atraso e, agora, pressões às direcções, são todos elementos que preocupam e todos elementos que lançam sinais de alarme sobre o futuro dos órgãos de comunicação social em Portugal.

Hoje, na Assembleia da República, em Comissão Parlamentar, esteve presente Domingos Andrade, ex-director da TSF, que falando da actual situação do grupo de média, trouxe também consigo um grave caso de pressões. 

«Se senti pressões da nova gestão? Claro que sim», afirmou Domingos Andrade, em resposta aos deputados. O ex-director da TSF colocou assim a nu o que se passa quando um fundo investimento, neste caso o World Opportunity Fund, detém o monopólio da comunicação. 

Segundo o mesmo, « a nova gestão ainda mal tinha acabado de chegar e o senhor Paulo Lima de Carvalho [administrador], depois de ter tentado pressionar o director adjunto da TSF» para que ele «dissesse quem foi que aprovou uma determinada notícia» que tinha ido para o site da rádio, tentou «fazer o mesmo comigo», relatou o jornalista que ainda disse «isto é apenas um episódio», dando a entender que podem haver mais.

O testemunho de Domingos Duarte acaba por ser revelador da forma como as «pressões» podem funcionar de forma diferente. Aquando da entrada de Paulo Lima de Carvalho para novo administrador do grupo, substituindo Marco Galinha, esse «acabou por assumir praticamente a gestão de todas as áreas» menos a de Domingos Duarte que tratava, sobretudo, a questão editorial».

O ex-director da TSF contou ainda que teve uma reunião com os administradores Paulo Lima de Carvalho e Filipe Nascimento, depois de toda a equipa da Comissão Executiva ter chamado o então director executivo Pedro Cruz para ser seu interino, «ao que ele terá recusado».

Na tal reunião, «a única que tive, basicamente o que me disseram é que me queriam afastar da TSF, era preciso encontrar uma solução no regresso a casa, no regresso ao Jornal de Notícias e eu respondi, do princípio ao fim» que pretendia continuar director da rádio enquanto a redação assim o entendesse, salientou Domingos Andrade.
 

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