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Novo álbum dos Kneecap é a banda sonora para o combate que se trava

O trio de rap irlandês está de volta com FENIAN, o seu aguardado segundo álbum. Móglaí Bap, Mo Chara e DJ Próvaí voltam à carga com o gaélico, o rave-rap, os BPMs acelerados, a luta política, a resistência e a solidariedade com a Palestina. 

Fine Art foi lançado em 2024 e parece que desde então os Kneecap ficaram mais chateados com os destinos do mundo. Desde esse álbum, o trio de rap oriundo de Belfast continua por ver a independência da Irlanda, viu o genocídio na Palestina a avançar, o bloqueio a Cuba a intensificar-se, as guerras a intensificarem-se e os activistas a serem cada vez mais perseguidos.

Lançado esta semana, FENIAN, o seu segundo trabalho de longa duração, parece dar voz a essa revolta e espelha o estado do mundo, mas também o sentimento de uma geração de jovens que não se resigna e está a ir à luta por um mundo melhor. Continuando com o rumo seguido nos seus últimos trabalhos, os Kneecap trazem de volta as sonoridades rave, grime, techno misturadas com um rap próprio em gaélico que grita «guerrilha» em cada verso. 

A fusão musical não invalida a mensagem, essa que está sempre bem presente em gaélico, árabe ou inglês. Ao longo do álbum são várias as afirmações políticas e provocatórias: «Relações públicas feitas em nosso nome – assim que ficarem indignados, já ganhámos»; «A história vai lembrar-se de vocês, seus merdas, e nunca serão perdoados»; «Nunca vou aprender a lição, é sempre a mesma obsessão do governo». 

Em FENIAN está criada atmosfera que procura meter o dedo na ferida, culpar o poder político pelo estado do mundo, e criticar abertamente pessoas como Keir Starmer. A joia da coroa deste álbum acaba por ser a faixa Palestine que associa Belfast Ocidental à Cisjordânia, conta com a participação especial do rapper Fawzi, de Ramallah, e conclui: «não vamos parar até que todos estejam livres».

A postura desafiante de Móglaí Bap, Mo Chara e DJ Próvaí continua viva. Talvez ainda mais viva. Mas é isso que torna FENIAN um bom álbum. Os Kneecap sempre foram provocadores, porém a reflexão política adensou-se, assim como a maturidade musical e a qualidade de produção. Num contexto em que muitos artistas acham que estão a ser revolucionários por levarem um adereço na lapela e dizerem umas banalidades nos trinta segundos a que têm direito depois de receberem prémios, este trio da Irlanda do Norte não pede desculpas e deu, mais uma vez, um pontapé na porta. A solidariedade internacionalista está viva neste trabalho. 
 

 

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