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Morreu Carlucci, um dos artífices da contra-revolução

Frank Carlucci desempenhou um importante papel no xadrez da contra-revolução em Portugal.

Frank Carlucci (direita) num encontro com o Presidente da República Mário Soares, no Palácio de Belém, no último ano do seu segundo mandato. 21 de Junho de 1995
Frank Carlucci (direita) num encontro com o Presidente da República Mário Soares, no Palácio de Belém, no último ano do seu segundo mandato. 21 de Junho de 1995CréditosJoão Trindade / Agência LUSA

Frank Carlucci morreu este domingo, aos 87 anos, na sua casa em McLean, no estado da Virginia. Embaixador dos EUA em Portugal no período do pós-25 de Abril, foi também vice-director da CIA e conselheiro de Segurança  Nacional dos EUA.

Frank Carlucci desempenhou um importante papel no xadrez da contra-revolucão em Portugal, como mostram, por exemplo, as suas declarações num reencontro com Mário Soares, em Lisboa, sublinhadas pelo Público de 23 de Setembro de 2006: «O Dr. Soares e eu passávamos aqui [no sótão da embaixada] muitas horas a conversar sobre os problemas políticos portugueses, sobre as relações entre os nossos dois países e como seria possível fazer de Portugal uma democracia de tipo ocidental. Falávamos horas e horas...»

Também reveladoras das actividades de Carlucci em Portugal são as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho (Referencial n.º 100), referindo-se ao falecido militar de Abril Vítor Alves: «Quando Frank Carlucci veio para Portugal, para substituir Nash Scott, trazia obviamente o teu nome em agenda para ligação com os militares moderados do MFA. Imagino a satisfação que Carlucci deve ter sentido quando, antes de ser tornado público no Jornal Novo, lhe apresentaste em primeira mão o “Documento dos Nove”.»

Por fim, relembrando as acções de violência e de terrorismo promovidas pelas forças reaccionárias para dar combate aos democratas e às forças mais empenhadas na defesa do 25 de Abril, importa reler o seguinte excerto do livro O Segredo do 25 de Novembro, do historiador José Freire Antunes, sobre o chamado verão quente de 1975:

«Nas águas turvas do descontentamento pescam o MDLP e o ELP. Frotas de exilados, com estímulos da direita europeia, fazem a sua “cruzada branca” contra a “opressão vermelha”.

Ensinam a fabricar coktails molotov nos seus panfletos. Querem transformar Lisboa numa “cidade-mártir”. Ateiam incêndios, põem bombas, matam comunistas, conspiram nos seminários e nas sacristias. Pagam a marginais e antigos quadros do Exército.

O CDS e o PPD são a capa legal desses núcleos. Mais eficazmente, porém, o catolicismo é o cimento ideológico dessa voragem.

A Igreja é a grande triunfadora deste ardente Verão. É certamente para brindar a essa vitória que Frank Carlucci, o dinâmico embaixador dos Estados Unidos, vai fazer a volta dos bispos. De 3 a 6 de Novembro, encontra-se com os bispos de Viseu, Vila Real, Braga.»

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