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Testamento de Ventura Terra sucumbe ao mercado imobiliário

A inscrição num edifício da Rua Alexandre Herculano, que é Prémio Valmor e foi deixado em testamento pelo arquitecto Ventura Terra às escolas de Belas Artes de Lisboa e do Porto, foi destruída.

Créditos / Câmara Municipal de Lisboa

«Esta casa foi legada às escolas de Belas Artes de Lisboa e Porto pelo distinto arquitecto Miguel Ventura Terra, que nela faleceu em 30 de Abril de 1919, destinando o seu rendimento líquido para pensões a estudantes pobres das escolas que mostrem decidida vocação para as belas artes.» Esta era a mensagem inscrita na placa que, segundo notícia avançada pelo Público, foi retirada esta quarta-feira pela Universidade de Lisboa.

Os moradores deste prédio na Rua Alexandre Herculano, que é património da Universidade do Porto, da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, falam de «um crime».

Apesar de estar classificado como Imóvel de Interesse Público e ser Prémio Valmor, no passado mês de Dezembro a Universidade de Lisboa anunciou a sua alienação em hasta pública, contrariando a vontade expressa pelo arquitecto em testamento: «Muito desejo que não seja vendido».

No mesmo mês, o reitor da Universidade de Lisboa assumiu não ter encontrado «nenhum constrangimento legal à venda» do prédio de quatro pisos, o que levou os herdeiros do arquitecto a anunciar a impugnação da venda. 

Fonte oficial da Universidade de Lisboa, que estima que o valor do imóvel ronde os 3,7 milhões de euros, afirmou ao Público que a placa «não foi destruída, mas sim retirada», anunciando a sua colocação numa futura residência de estudantes com o nome do arquitecto Ventura Terra.

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