Num relatório que documenta o impacto devastador do genocídio israelita na geração mais jovem do enclave palestiniano, o Centro Himaya para os Direitos Humanos informou que as suas equipas que trabalham em Gaza documentaram as mortes de 21 745 pessoas com menos de 18 anos desde 7 de Outubro de 2023.
O centro registou também cerca de 46 mil casos de ferimentos entre crianças e jovens palestinianos, incluindo 11 mil casos de amputação de membros inferiores.
Publicado este sábado com o título «Uma Geração sob Ataque», o relatório aponta para um cenário devastador que vai muito para além dos mortos e feridos, referindo-se também a situações de fome, doenças, deslocações forçadas, bem como a perda de acesso a cuidados de saúde, educação e habitação adequada, tendo em conta que a destruição da Faixa de Gaza privou centenas de milhares de crianças de direitos fundamentais.
Crianças e jovens a morrer de fome e de doenças
O centro documentou a morte de 123 crianças e menores palestinianos por desnutrição e desidratação durante a guerra genocida. Registou ainda 293 mortes de recém-nascidos e bebés prematuros, no meio da deterioração dos serviços de saúde, da falta de electricidade e da escassez crítica de medicamentos e de material médico, refere o portal palinfo.com.
A organização informou que cerca de 700 mil crianças foram privadas de direitos fundamentais – incluindo o acesso a cuidados de saúde, educação e habitação adequada – desde Outubro de 2023, enquanto aproximadamente 300 mil crianças com menos de cinco anos sofreram de subnutrição e fome.
Ainda como ameaças à infância em Gaza, o centro documentou a propagação de doenças e epidemias, bem como a deslocação, a detenção e o trabalho infantil, com profundos impactos humanitárias, sociais e psicológicas em toda uma geração.
Uma geração privada de direitos
O Centro Himaya salientou que a protecção das crianças durante os conflitos armados não é uma questão de escolha, mas uma obrigação legal prevista no direito internacional dos direitos humanos e no direito internacional humanitário.
Também se referiu ao estipulado na Convenção sobre os Direitos da Criança, as Convenções de Genebra e os seus protocolos, e no Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.
No seu documento, o centro conclui que a escala e o padrão das violações documentadas contra as crianças em Gaza exigem investigações internacionais independentes e transparentes, bem como a responsabilização dos autores de violações graves do direito internacional.
O centro instou o mundo a tomar medidas urgentes e práticas no sentido de proteger as crianças na Faixa de Gaza, facilitar a evacuação médica de crianças feridas para tratamento no estrangeiro, assegurar o acesso a alimentos e medicamentos, garantir a prestação de assistência humanitária, e restaurar o acesso das crianças palestinianas à educação e à saúde.
ONU: Israel ataca deliberadamente as crianças
Recorde-se que, em Junho último, a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestiniano Ocupado determinou que as forças israelitas estão a atacar deliberadamente crianças palestinianas em Gaza e na Margem Ocidental ocupada.
«As autoridades e as forças de segurança israelitas visaram deliberadamente crianças palestinianas, resultando em genocídio e crimes de atrocidade na Faixa de Gaza e em crimes de guerra na Cisjordânia», declarou a comissão no âmbito de um estudo sobre denúncias de violações dos direitos das crianças palestinianas.
A comissão concluiu que Israel cometeu genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra nos territórios ocupados, e que estas acções constituem um elemento central da campanha sionista de limpeza étnica, alertando ainda que estas práticas israelitas se mantiveram após o cessar-fogo de Outubro de 2025.
Violações repetidas do cessar-fogo
Até este domingo, as autoridades de saúde em Gaza documentaram 74 237 mortos como resultado da ofensiva genocida levada a cabo por Israel contra o enclave em Outubro de 2023. No mesmo período ficaram feridas 175 206 pessoas.
Desde o começo do chamado cessar-fogo, que entrou em vigor a 10 de Outubro do ano passado, pelo menos 1454 palestinianos foram mortos e 5090 ficaram feridos.
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