De acordo com as autoridades de saúde, o cerco israelita ao Norte da Faixa de Gaza provocou pelo menos mil mortos. Esta manhã, o bairro de Shujaya voltou a ser bombardeado, havendo registo de pelo menos quatro vítimas mortais.
A Al Jazeera recorda que mais de 80% da população já tinha fugido do bairro e que há poucos edifícios em pé, uma vez que Shujaya foi intensamente bombardeado diversas vezes, por via aérea e terrestre.
O objectivo das forças de ocupação, sugere a fonte, será tornar toda a região «inabitável», arrasando os edifícios residenciais, estruturas de saúde e centros de evacuação que ainda ali subsistem, de modo a impedir que as pessoas regressem.
O mesmo padrão está a tornar-se aplicável a várias outras zonas do enclave costeiro, sobretudo no Norte, onde este domingo as forças sionistas atingiram pelo menos cinco edifícios residenciais em Beit Lahia, matando mais de 40 pessoas – muitas das quais ficaram sob os escombros – e atacaram a Escola Asmaa, no campo de refugiados de Shati, que servia como refúgio para pessoas deslocadas. Pelo menos 11 foram mortas aqui, três das quais jornalistas.
A Aljazeera descreve a situação no Norte do enclave palestiniano como «horrorosa» após 24 dias de cerco, com a comida, a água e os medicamentos a não chegarem à região, e um número indeterminado de pessoas sob os escombros, sem que alguém as possa alcançar – em Jabalia, Beit Lahia ou Beit Hanoun.
Guterres: «Níveis angustiantes de mortes, feridos e destruição»
O secretário-Geral das Nações Unidas disse-se «chocado» com a situação no Norte de Gaza, no contexto do cerco e da ofensiva israelita.
Num comunicado divulgado este domingo por Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, afirma-se que «a situação dos civis palestinianos presos no Norte de Gaza é insuportável».
O texto destaca a situação de «civis presos sob os escombros, doentes e feridos sem cuidados de saúde vitais e famílias sem comida e abrigo».
Pelo menos 180 jornalistas mortos por ataques israelitas em Gaza
O Gabinete de Imprensa na Faixa de Gaixa informou que 182 jornalistas e trabalhadores da imprensa foram assassinados pelas forças de ocupação, no enclave costeiro, desde 7 de Outubro de 2023.
Este número já inclui os três que foram mortos ontem na sequência do bombardeamento contra a Escola Asmaa, no campo de refugiados de Shati (a oeste da Cidade de Gaza). Trata-se de Saed Radwan, da Al-Aqsa TV, Hamza Abu Salmiya, da Sanad News Agency, e Haneen Baroud, que trabalhava para a al-Quds Foundation, refere a Wafa.
O Gabinete instou a chamada comunidade internacional, os seus organismos e associações de imprensa «a travar estes massacres da ocupação e persegui-la nos tribunais internacionais pelos crimes em curso».
O Sindicato dos Jornalistas Palestinianos também condenou o ataque deliberado das forças de ocupação contra os três jornalistas e mostrou-se determinado a perseguir na Justiça os autores destes crimes, sublinhando que não irá descansar até «responsabilizar judicialmente os criminosos de guerra que atacam de forma intencional a voz da verdade».
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