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Hillary Clinton defende banqueiros a regular o sector financeiro

As eleições presidenciais norte-americanas podem vir a ter um vencedor com o pior resultado das últimas décadas. Escândalos marcam campanha dos principais candidatos.

Transcrições de discursos proferidos pela candidata do Partido Democrata perante plateias repletas dos maiores banqueiros do planeta foram divulgadas pela Wikileaks na última sexta-feira. Num encontro com quadro do Goldman Sachs, Clinton defendeu que «quem trabalha na indústria é quem a conhece melhor», numa referência aos desenvolvimentos em matéria de regulação do sector financeiro, revela o Intercept. Num outro encontro, justificou que é necessário «ter uma posição em público e outra em privado».

«É preciso ter uma posição em público e outra em privado»

Hillary Clinton

Hillary acumulou mais de 22 milhões de dólares desde que deixou a administração Obama, em 2013, e entrou no circuito de palestras pagas, onde circulou Durão Barroso após a saída da presidência da Comissão Europeia. De acordo com uma investigação do jornalista Stephen Braun (Associated Press), o valor por cada discurso rondou os 200 mil dólares e as entidades que a contrataram vão desde grandes grupos financeiros, como a Goldman Sachs, o Deutsche Bank ou a Morgan Stanley, até empresas que mantiveram contratos com o Departamento de Estado enquanto ela foi Secretária de Estado, como a Xerox, a General Electric ou a Cisco Systems.

Corrida mais disputada das últimas décadas

Também o candidato do Partido Republicano, Donald Trump, se tem envolvido em sucessivas polémicas. A mais recente foi a divulgação de um vídeo, pelo Washington Post, em que Trump diz que «nem hesita» em aproveitar o seu estatuto de milionário para apalpar mulheres, levou a que várias figuras do seu partido pedissem a sua desistência.

O cenário de um candidato vencedor com menos de 45% do voto popular parece ganhar força. As últimas sondagens apontam para uma vitória de Clinton abaixo desse valor. O último presidente eleito com uma votação semelhante foi o seu marido, Bill Clinton, com 43%, em 1992. Desde 1912, apenas por duas vezes isso sucedeu, a outra foi em 1968.

17%

Percentagem de norte-americanos que não decidiram votar nas duas principais candidaturas, de acordo com o agregador de sondagens do Huffington Post, ainda antes dos últimos escândalos: desde 1912, só na eleição de 1992 o valor foi tão alto

Apesar da pouca atenção mediática, existem outros candidatos que podem recolher uma parte importante dos votos nas eleições de 8 de Novembro. Gary Johnson, candidato do Partido Libertário (liberal), e Jill Stein, candidata do Partido Verde (ecologista), surgem, em alguns estudos de opinião, com cerca de 10% dos votos.

Apesar da erosão dos candidatos dos principais partidos norte-americanos, o sistema eleitoral deverá garantir a vitória de um dos dois, já que a eleição é feita de forma indirecta e são vários os entraves ao acesso de «terceiros candidatos» (termo pelo qual são designados candidatos que não são nomeados pelo Partido Democrata ou Republicano) aos boletins de voto.

Os norte-americanos elegem «grandes eleitores» em cada um dos 50 estados e no Distrito de Columbia, onde está instalada a capital federal. Na maioria dos estados, o candidato mais votado fica com todos os votos correspondentes no colégio eleitoral que irá eleger o presidente, o que significa que não é necessário ter uma maioria a nível nacional para se ser eleito.

Apesar de existirem mais de 30 candidatos às eleições de Novembro, apenas três (Clinton, Trump e Johnson) aparecem nos boletins de voto em todos os estados. A par destes, apenas Stein surge no boletim de um número de estados que lhe permite alcançar mais de 270 «grandes eleitores», o necessário para a eleição.

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