Mobilizações de massas de grande dimensão foram organizadas em várias localidades do estado indiano de Bengala Ocidental para denunciar o número crescente de ataques da extrema-direita a instituições de ensino e activistas, revelou este sábado o portal Breakthrough News.
Desde o ataque à universidade perpetrado na madrugada de 20 de Agosto, registaram-se pelo menos três jornadas de mobilização no estado do Nordeste da Índia, refere a fonte, explicando que a violência foi levada a cabo por elementos ligados ao Partido Bharatiya Janata (BJP), de extrema-direita e supremacista hindu, e pela organização estudantil Akhil Bhartiya Vidyarthi Parishad (ABVP), ligada à organização paramilitar de direita Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS).
Vários estudantes e docentes ficaram feridos e diversas instalações da Universidade de Jadavpur foram vandalizadas no ataque. Os estudantes acusaram as forças de segurança de não terem actuado, frisando que vários eleitos do BJP na Assembleia Legislativa estadual estiveram directamente envolvidos.
Nas jornadas de protesto que se seguiram, a 22, 24 e 26 de Agosto, os manifestantes expressaram a sua solidariedade aos estudantes e docentes agredidos, e exigiram a responsabilização penal de todos os envolvidos no ataque.
Os manifestantes exigiram ainda medidas contra as forças envolvidas em actos de vandalismo contra símbolos progressistas e de esquerda no estado, onde – destaca a fonte – uma onda de ataques foi desencadeada desde que o BJP assumiu o poder, no início deste ano.
As mobilizações foram convocadas por vários partidos de esquerda e organizações estudantis do estado, incluindo a Federação dos Estudantes da Índia (SFI), a Federação dos Estudantes de Toda a Índia (AISF) e a Associação dos Estudantes de Toda a Índia (AISA), entre outras.
A esquerda é o alvo
O conjunto BJP-RSS-ABVP e outros grupos de direita semelhantes acusaram a Universidade Jadavpur e outras universidades importantes de se terem tornado «antros de actividades "anti-nacionais"», exigiram o despedimento de professores progressistas e de esquerda, bem como a proibição das actividades das associações estudantis de esquerda.
Antes de invadirem o campus universitário, a 20 de Agosto, já tinham tentado demolir uma estátua de Lénine nas imediações da universidade e vandalizado várias outras estátuas em diferentes pontos do estado.
Há ainda notícias que dão contam de que vários activistas de esquerda e progressistas foram mortos ou feridos em ataques direccionados.
Na sua conta de Twitter (X), o Partido Comunista da Índia (Marxista) destacou a grande mobilização de dia 26 contra os ataques da extrema-direita a «instituições educativas e intelectuais», bem como contra a «profanação de estátuas de estudiosos».
Padrão semelhante ao de outros pontos da Índia
As acções violentas agora verificadas em Bengala Ocidental são semelhantes a outras perpetradas pelas mesmas forças de extrema-direita no resto do país. Universidades como a Jawaharlal Nehru e a Jamia Millia Islamia, ambas em Nova Déli, têm sido repetidamente visadas por ataques da extrema-direita na última década, devido à sua oposição declarada às políticas sectárias e pró-capital do BJP.
Ao comentar os ataques à Universidade de Jadavpur, Vijay Prashad, historiador e director do Instituto Tricontinental de Investigação Social, comparou-os precisamente com os ataques à Universidade Jawaharlal Nehru, classificando-os como uma luta «que não terá uma solução fácil» e sublinhando que o verdadeiro objectivo da direita por detrás destes repetidos ataques é destruir a esquerda no país.
Por seu lado, Suchetna Chattopadhyay, professora de História na Universidade de Jadavpur, referiu-se ao ataque como um exemplo do «fascismo neoliberal clássico dos nossos tempos» e defendeu que a acção se insere nos ataques mais amplos e sistemáticos contra a esquerda, uma «tentativa de instilar o medo para silenciar qualquer tipo de oposição às suas políticas, concebidas para servir os interesses do grande capital».
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