«Que o capital pague a subida dos preços. Queremos viver com dignidade» é o lema da campanha que a Confederação Intersindical Galega (CIG) vai desenvolver nos próximos meses e que foi agora apresentada pelo seu secretário-geral, Paulo Carril.
A central sindical exige que a Xunta da Galiza e o governo do Estado espanhol incluam um plano de emergência nos orçamentos de 2027 – delineando uma série de medidas para conter a deterioração das condições de vida da classe trabalhadora, provocada pelo aumento generalizado dos preços.
Numa conferência de imprensa em Compostela, Carril alertou que a subida constante e imparável dos preços da electricidade, dos combustíveis, dos bens de primeira necessidade e da habitação está a «levar a população e os trabalhadores à ruína». Uma situação que, sublinha a central sindical, é agravada pela deterioração dos serviços públicos e o retrocesso nas políticas sociais.
No entender da CIG, a esta situação não são alheias as guerras imperialistas e a ofensiva belicista dos EUA, com a «obediência da UE e o entreguismo do Estado espanhol». Neste contexto, Carril falou numa «perigosa» deriva militarista que «está a aumentar escandalosamente a despesa militar dos estados e o criminoso papel da NATO».
Endividamento das famílias e enriquecimento das empresas
Citado pelo portal da CIG, Carril destacou a inflação e o endividamento das famílias, sublinhando que o aumento do custo de vida «agrava os efeitos negativos das precárias modalidades de contratação impostas pelas sucessivas reformas laborais – como o trabalho a tempo parcial, os contratos intermitentes e as empresas de trabalho temporário –, que impedem os trabalhadores de obter empregos estáveis e condições salariais com direitos plenos».
Ao invés, as empresas cotadas na bolsa registam um «enriquecimento imparável», com a obtenção de «lucros astronómicos», disse, denunciando a falta de acção dos governos e a pouca vontade que mostram para solucionar a grave situação que afecta a maioria das pessoas.
Neste sentido, fez um apelo contra a resignação e o lamento, e à mobilização perante governos e patronato, na medida em que «pretendem que os trabalhadores galegos paguem, mais uma vez, esta nova crise, como ocorreu nas anteriores».
Pacote de medidas
Neste contexto, a CIG apresentou um conjunto de medidas que considera essenciais para enfrentar a situação. Entre outros aspectos, reclama o fim do aumento das despesas militares e que essas verbas sejam destinadas à protecção social, aos serviços públicos e a um sistema público galego de cuidados.
Também exige a intervenção pública nos sectores estratégicos, nomeadamente o financeiro e o energético, na alimentação, na habitação e na mobilidade.
A CIG considera essencial que os governos fixem legalmente preços acessíveis para os produtos alimentares básicos e preços justos para os produtores. Assim, Paulo Carril defendeu a adopção de «medidas contra os especuladores do mercado, bem como contra as empresas de energia e de retalho alimentar».
Face à situação habitacional, marcada pela escalada dos preços, a central sindical exige a proibição dos despejos, o congelamento das cláusulas de ajustamento das rendas e a suspensão da aplicação de aumentos das taxas de juro às hipotecas.
No mesmo sentido, reclama a disponibilização imediata de habitações para as camadas sociais mais vulneráveis, uma intervenção no mercado imobiliário para «definir preços máximos de renda alinhados com os salários médios locais» e a criação de um Banco de Habitação da Galiza vocacionado para o arrendamento social.
Entre outras medidas, Carril defendeu ainda a fixação do salário mínimo em 1374 euros, com carácter retroactivo a 1 de Julho deste ano, bem como o direito à negociação colectiva e a prevalência dos convénios galegos sobre os estatais.
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