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«NAZA» online e gratuito. «Fizemos o filme para provocar um debate público»

Depois da estreia do documentário no Festival de Veneza e da repercussão global, os realizadores anunciam a disponibilização da obra em salas de cinema de 50 países e gratuitamente através do The Guardian, em Novembro.

Os cineastas israelelitas Yuval Abraham e Rachel Szor

Créditos Buesra Tasdemir / EPA

Esta quinta-feira, através da sua conta pessoal no X, o realizador Yuval Abraham compartilha a solução que ele e sua co-realizadora, Rachel Szor, encontraram para atender à «enorme procura para assistir ao filme»: a disponibilização da obra «seja nos cinemas, ou online daqui a algumas semanas».

A iniciativa parte de uma parceria entre os autores e o jornal inglês The Guardian, que em notícia sobre o projecto afirma tratar-se de um «compromisso da organização de notícias com a divulgação do jornalismo independente.» Após a estreia no Festival de Veneza, da ovação de 25 minutos em pé e da conquista do Prémio Especial do Júri, NAZA e os seus realizadores sofreram um comboio de represálias e ameaças, descredibilizando o trabalho jornalístico que sustenta a produção.

Harry Davies, correspondente de investigação do The Guardian e produtor do documentário, garante a seriedade do projecto: «NAZA está fundamentada em jornalismo rigoroso publicado nos últimos três anos» e «também é uma poderosa peça de cinema», explicou à publicação inglesa.

«Jornalismo não é traição. Crítica não é traição. É dever de todo o cidadão cujo governo comete crimes ter conhecimento e de todo o soldado que os testemunhou denunciá-los», afirma Yuval, em resposta às críticas de traição que ele e Szor têm recebido. «Fizemos o filme para provocar um debate público sobre as acções do governo [israelita] em Gaza», complementa o autor que acredita que há milhares de soldados como os que testemunham no filme e que irão se rever pessoalmente nos relatos: «Esconder a verdade, antes de mais, envenena a nossa sociedade e, sobretudo, permite que o sofrimento da população de Gaza continue.»

Yuval rebate também um tipo de comentário que tem recebido, que acreditam valer a pena esconder a verdade para manter a imagem de Israel externamente: «Eles já sabem tudo lá». Nesse sentido, o circuito interno de NAZA em Israel é fundamental para o seu propósito de «provocar um debate». Por isso, foi oferecido o filme a «uma série de distribuidores e cinemas em Israel», para além dos já confirmados Bolonha, Festival de San Sebastián e da estreia americana no Festival de Cinema de Nova Iorque. Após a exibição num circuito internacional de cinemas que já inclui outros 55 países, em parceria com a MK2 Filmes, NAZA chegará, por volta de Novembro, gratuitamente, ao site do The Guardian.

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