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Do lado dos poderosos, Chega não quer enfrentar quem ganha com a inflação

André Ventura, ao seu estilo, recusou-se a fazer frente aos poderosos. Colocando a tónica nos impostos, o Chega dá carta branca a quem lucra com a especulação. No caso das portagens, a extrema-direita quer premiar concessionárias. 
 

Mesmo quando se discute o aumento do custo de vida, as opções de classe vêm ao de cima e o Chega não foge a estas. Agendando um debate em torno do aumento do custo de vida, o partido de André Ventura procurou encenar preocupação e acções, mas analisadas as propostas, o que a extrema-direita procura é garantir que quem especula continuará a fazê-lo.

Neste sentido, o Chega foi hoje a debate com uma proposta de redução do IVA nos combustíveis para os 13% e a isenção total deste imposto no cabaz alimentar. Além disto, surge ainda recomendação ao Governo para abolir as portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama, entre Lisboa e a Margem Sul do Rio Tejo.

À vista desarmada, as medidas até podem significar um alívio, não fosse o facto de não alterarem nada de estrutural. Certo é que ao longo do debate, o PSD criticou a proposta do Chega relativamente ao IVA, mas apenas pelo impacto fiscal, dada a forma como faz depender as contas de impostos regressivos. A verdade é que, na prática, a proposta da extrema-direita só tem mesmo impactos fiscais, uma vez que a fixação de preço seria a única forma de combater o custo de vida.

Na prática, o partido de André Ventura recusou-se a enfrentar os interesses dos grandes grupos económicos, ficando tal ainda mais evidente na questão das portagens com o Chega a procurar garantir compensações à Lusoponte e Vinci. Ou seja, queria que o erário público fosse parar aos bolsos dos grandes grupos económicos.

Num debate marcado pela degradação da discussão política, promovida pelo PSD, Chega e Iniciativa Liberal, a discussão foi longa, tal não era a quantidade de propostas à discussão. Os liberais apresentaram um projecto de resolução que pedia ao Governo a redução do ISP sobre os produtos petrolíferos e energéticos; o Livre avançou um projecto de lei para a aplicação da taxa reduzida de IVA a 6% ao gás engarrafado, por 12 meses; e o Bloco de Esquerda uma proposta que exige o IVA Zero nos alimentos; já o PS acompanhou o Chega com isenções fiscais temporárias nos combustíveis.  

O PCP foi a debate com um projecto de lei que visa eliminar a incidência de IVA sobre o ISP, uma batalha antiga dos comunistas contra a dupla tributação que penaliza os consumidores e apresentou um outro projecto de lei para eliminar as portagens e as parcerias público-privadas (PPP) nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. Na sua intervenção, o debate comunista, Alfredo Maia, vincou que o custo de vida só não é combatido porque «há forças comprometidas com os interesses dos grandes grupos económicos». Os comunistas procuraram, assim, ir além de medidas pontuais e procurou combater o custo de vida com medidas estruturais.

No momento das votações, as propostas do Chega foram todas rejeitadas. Não deixa de ser digno de registo o facto de o Chega ter votado contra a proposta do PCP para o fim das portagens na Ponte Vasco da Gama e na Ponte 25 de Abril, colocando termo às PPP. Depois de André Ventura ter estado a tarde toda a gritar «vergonha», eis que as suas acções falaram por si.

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