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|Galiza

CIG lança campanha para travar o empobrecimento dos trabalhadores

«Em vez de apenas lamentar, a CIG opta pela mobilização», com assembleias de delegados marcadas para 8 de Outubro e protestos nas várias cidades galegas a 1 de Dezembro.

Créditos / CIG

«Que o capital pague a subida dos preços. Queremos viver com dignidade» é o lema da campanha que a Confederação Intersindical Galega (CIG) vai desenvolver nos próximos meses e que foi agora apresentada pelo seu secretário-geral, Paulo Carril.

A central sindical exige que a Xunta da Galiza e o governo do Estado espanhol incluam um plano de emergência nos orçamentos de 2027 – delineando uma série de medidas para conter a deterioração das condições de vida da classe trabalhadora, provocada pelo aumento generalizado dos preços.

Numa conferência de imprensa em Compostela, Carril alertou que a subida constante e imparável dos preços da electricidade, dos combustíveis, dos bens de primeira necessidade e da habitação está a «levar a população e os trabalhadores à ruína». Uma situação que, sublinha a central sindical, é agravada pela deterioração dos serviços públicos e o retrocesso nas políticas sociais.

No entender da CIG, a esta situação não são alheias as guerras imperialistas e a ofensiva belicista dos EUA, com a «obediência da UE e o entreguismo do Estado espanhol». Neste contexto, Carril falou numa «perigosa» deriva militarista que «está a aumentar escandalosamente a despesa militar dos estados e o criminoso papel da NATO».

Endividamento das famílias e enriquecimento das empresas

Citado pelo portal da CIG, Carril destacou a inflação e o endividamento das famílias, sublinhando que o aumento do custo de vida «agrava os efeitos negativos das precárias modalidades de contratação impostas pelas sucessivas reformas laborais – como o trabalho a tempo parcial, os contratos intermitentes e as empresas de trabalho temporário –, que impedem os trabalhadores de obter empregos estáveis ​​e condições salariais com direitos plenos».

Ao invés, as empresas cotadas na bolsa registam um «enriquecimento imparável», com a obtenção de «lucros astronómicos», disse, denunciando a falta de acção dos governos e a pouca vontade que mostram para solucionar a grave situação que afecta a maioria das pessoas.

Neste sentido, fez um apelo contra a resignação e o lamento, e à mobilização perante governos e patronato, na medida em que «pretendem que os trabalhadores galegos paguem, mais uma vez, esta nova crise, como ocorreu nas anteriores».

Pacote de medidas

Neste contexto, a CIG apresentou um conjunto de medidas que considera essenciais para enfrentar a situação. Entre outros aspectos, reclama o fim do aumento das despesas militares e que essas verbas sejam destinadas à protecção social, aos serviços públicos e a um sistema público galego de cuidados.

Também exige a intervenção pública nos sectores estratégicos, nomeadamente o financeiro e o energético, na alimentação, na habitação e na mobilidade.

A CIG considera essencial que os governos fixem legalmente preços acessíveis para os produtos alimentares básicos e preços justos para os produtores. Assim, Paulo Carril defendeu a adopção de «medidas contra os especuladores do mercado, bem como contra as empresas de energia e de retalho alimentar».

Face à situação habitacional, marcada pela escalada dos preços, a central sindical exige a proibição dos despejos, o congelamento das cláusulas de ajustamento das rendas e a suspensão da aplicação de aumentos das taxas de juro às hipotecas.

No mesmo sentido, reclama a disponibilização imediata de habitações para as camadas sociais mais vulneráveis, uma intervenção no mercado imobiliário para «definir preços máximos de renda alinhados com os salários médios locais» e a criação de um Banco de Habitação da Galiza vocacionado para o arrendamento social.

Entre outras medidas, Carril defendeu ainda a fixação do salário mínimo em 1374 euros, com carácter retroactivo a 1 de Julho deste ano, bem como o direito à negociação colectiva e a prevalência dos convénios galegos sobre os estatais.

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